
Jogadores do Brasileirão ficaram de fora da movimentada janela europeia
A janela de transferências europeia está um turbilhão, com clubes gastando bilhões em contratações, mas nenhum jogador dos grandes times brasileiros foi buscado. Flamengo e Palmeiras, considerados as duas maiores forças do Brasileirão, não perderam ninguém de peso para o exterior nesta janela, mesmo com o mercado batendo recordes de movimentação.
O contraste chama atenção porque, em outras temporadas, é justamente nesse período que clubes europeus costumam ir atrás de nomes badalados do futebol brasileiro. Casos como os de Vinícius Júnior, Philippe Coutinho, Endrick e o próprio Neymar mostram que essa não é uma prática nova. Desta vez, porém, o silêncio predominou.

Apesar dos investimentos milionários na janela europeia, os clubes brasileiros não exportaram grandes nomes
Os números da janela reforçam o tamanho do movimento no mercado europeu. Bruno Guimarães, do Newcastle para o Arsenal, foi o brasileiro mais caro negociado, por 87,5 milhões de euros (R$ 526,75 milhões), e aparece também entre os dez reforços mais caros de toda a janela. Mas ele já estava na Premier League. Nenhum jogador saiu diretamente do futebol brasileiro para reforçar um clube europeu entre os nomes de maior repercussão.

Bruno Guimarães foi o brasileiro mais caro da janela
Os brasileiros mais caros da janela
Depois de Bruno Guimarães, aparecem Andrey Santos, negociado por 56,3 milhões de euros (R$ 338,92 milhões) com o Manchester United, e João Gomes, vendido ao Aston Villa por 40 milhões (R$ 240,8 milhões). Emersonn foi para o Ipswich Town por 28 milhões (R$ 168,56 milhões), e Marcos Leonardo trocou a Arábia Saudita pelo Ajax por 19,9 milhões (R$ 119,79 milhões). Completam a lista Alisson Santos, Felipe Augusto, Viery, Bruninho, Caio Henrique e Gabriel Pec, todos negociados entre clubes que já não estavam mais no Brasil.
Todos os nomes da lista já defendiam equipes fora do país antes da negociação. Não há, entre os dez brasileiros mais caros da janela, nenhum jogador que tenha saído diretamente do Brasileirão ou de um clube nacional rumo à Europa.
Os clubes que mais gastaram
O Chelsea lidera o ranking de investimentos na temporada, com 408 milhões de euros gastos em reforços, seguido por Tottenham, com 267 milhões, e Real Madrid, com 225 milhões. Manchester City, Arsenal e Newcastle completam a lista dos cinco que mais gastaram, todos ultrapassando a marca de 160 milhões de euros.
Do lado das vendas, o Newcastle também aparece na ponta, faturando 265,5 milhões de euros com jogadores negociados. Aston Villa e Sporting completam o pódio de quem mais arrecadou. A Premier League segue isolada como a liga que mais movimenta dinheiro no mundo, com 2,48 bilhões de euros gastos apenas nesta janela, muito à frente do Campeonato Italiano, segundo colocado, com 929,2 milhões.

O Brasil teve uma Copa do Mundo decepcionante e nenhum talento revelado aos olhos do continente europeu
Uma Copa que não ajudou em nada
O cenário chama ainda mais atenção porque o Brasil acabou de disputar uma Copa do Mundo, torneio que historicamente funciona como vitrine para jogadores nacionais e costuma aquecer o interesse de clubes europeus por nomes que se destacam durante a competição. Desta vez, a repercussão do Mundial não se traduziu em propostas para jogadores que atuam no Brasileirão.
A lista dos brasileiros mais caros da janela reforça esse ponto. Mesmo com nomes conhecidos da torcida circulando pelo mercado, nenhum deles estava em clubes brasileiros no momento da negociação. O padrão de anos anteriores, quando um destaque na Copa costumava render uma saída rápida para a Europa, não se repetiu desta vez.

Rodri foi eleito o Bola de Ouro da Copa do Mundo de 2026 e fechou com o Barcelona
As grandes negociações do Velho Continente
Enquanto os jogadores no Brasil ficaram fora do radar europeu, o mercado do Velho Continente foi dominado por outras negociações de peso. Ferran Torres deixou o Barcelona rumo ao PSG por 50 milhões de euros mais 5 em variáveis, encerrando um ciclo de quatro temporadas no clube catalão, com 207 jogos, 65 gols e 23 assistências. O espanhol vai reforçar o ataque parisiense já lotado de nomes, com Dembélé, Kvaratskhelia, Doué e Barcola disputando espaço.
No Barcelona, a saída de Ferran foi compensada com outra contratação de peso. Rodri, eleito o melhor jogador da última Copa do Mundo, desembarcou na Catalunha na última segunda-feira (17) após o clube vencer a concorrência do Real Madrid e pagar 76,5 milhões de euros ao Manchester City pelo volante espanhol.
Do lado madrilenho, o Real Madrid resolveu a novela mais comentada da janela ao renovar com Vinícius Júnior até 2032. Endrick, por outro lado, seguiu sendo assunto o verão inteiro. Cortado das prioridades do clube após a chegada de Carlos Espí, o brasileiro chegou a ser sondado pela Roma para um possível empréstimo e nem sequer foi relacionado para o último amistoso contra o Schalke 04, reforçando as dúvidas sobre seu futuro em Madri.
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Filipe Luís chegou ao Monaco após uma passagem vitoriosa pelo Flamengo
Se não vende jogador, exporta técnico
Enquanto o mercado europeu ignorou os jogadores brasileiros nesta janela, um nome do país segue rendendo repercussão fora. Filipe Luís, ex-técnico do Flamengo, assumiu o comando do Mônaco em julho e a contratação chegou a ser chamada de “golpe de mestre” pela imprensa francesa nas redes sociais, com torcedores comparando o brasileiro a nomes como Cesc Fàbregas e Xabi Alonso na nova geração de treinadores.
O acerto não veio sem obstáculos. Filipe Luís ainda não possui a licença UEFA Pro, documento obrigatório para comandar equipes nas principais competições europeias, e o Mônaco pode ter que pagar uma multa de cerca de 28 mil euros por jogo enquanto a situação não é regularizada. Mesmo assim, o clube decidiu seguir com a contratação. O técnico chegou a ser sondado pelo Bayer Leverkusen antes de fechar com os franceses, e recusou propostas do Fenerbahçe e da própria CBF, que queria tê-lo como coordenador técnico da seleção brasileira.
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