O inventor do strep/leash foi chamado de covarde

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First Leash - O'Neill
Jack Ho

First Leash – O’Neill

Imagina nadar 200 metros para buscar sua prancha toda vez que cair.

Assim foi o surf por décadas. Cair/Tomar uma vaca (gíria usada por surfistas para ‘cair da prancha’) significava nadar atrás da prancha, que ia sendo levada para longe pelas ondas. Às vezes longe de verdade.

Eu mesmo já perdi a prancha em dia de mar grande e sei o desespero de ver ela sumindo, enquanto você nada igual louco tentando alcançar. Não é só cansativo, como também é perigoso. Você pode cansar, ser puxado pela corrente e além disso, a prancha vira uma arma contra os outros surfistas.

O surfista que resolveu ‘amarrar’ a prancha

No início dos anos 1970, na Califórnia, um surfista chamado Pat O’Neill, filho de Jack O’Neill, fundador da marca de surf wear O’Neill (roupas de surf e outros esportes aquáticos), teve uma ideia: amarrar a prancha no pulso com uma corda elástica de cortina.

Funcionou, mas ele sentiu dor em cada onda que caiu ou que não conseguia segurar a prancha.

Em uma sessão de surf em Santa Cruz, a prancha voltou com tudo e acertou o rosto de Jack O’Neill, seu próprio pai, arrancando o olho dele. Desde então, Jack passou a usar um tapa-olho, que se tornou algo icônico e até mesmo simbólico.

Ele perdeu o olho testando uma invenção que viria salvar milhões de surfistas no futuro. Toda inovação tem seu preço, e às vezes esse preço é bem caro.

“Isso é coisa de medroso”

Mesmo assim a ideia deu certo. Porém, como já esperado, teve muita resistência de alguns surfistas.

Surfistas tradicionais da época torciam o nariz. Diziam que usar strep/leash era covardia, que tirava a habilidade de “nadar bem” do esporte, e que surfista de verdade deve aguentar nadar atrás da própria prancha.

Sem o strep/leash, boa parte das manobras que vemos nas competições como aéreos, tubos impossíveis, rabetadas e surf em ondas grandes, como Nazaré, provavelmente não existiriam. Ninguém arrisca uma manobra daquelas sabendo que pode perder a prancha, e acabar perdendo tempo de bateria nadando.

De corda de cortina para tecnologia de ponta

O strep/leash foi evoluindo. Hoje são fios de poliuretano com giro de 360°, destorcedores, tornozeleiras reforçadas, protetor de rabeta e até mesmo modelos diferentes para ondas pequenas, grandes, big wave e longboards.

Um erro clássico que vejo muito, é usar strep/leash errado para o tipo de prancha ou de onda. Leash fino demais numa onda grande, ou leash grosso e pesado atrapalhando a flutuação e velocidade em uma onda pequena. Detalhe que parece bobo, mas que faz muita diferença.

O ensinamento por trás dessa história

Toda inovação no surf nasceu sendo chamada de exagero ou frescura. A quilha, o strep/leash, a prancha de espuma (softboards) e até mesmo os aéreos e outras manobras.

E não é só no surf que isso acontece, toda vez que alguém tenta algo novo, sempre tem alguém pronto para dizer que não vai funcionar. Então aprenda a ouvir, filtrar, e seguir testando. Às vezes dói, igual a pancada do Jack, mas com o tempo e esforço, pode ter certeza que os resultados vão aparecer.

Até a próxima! Ihii!

Pedro Bento
@pedrobento28





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