
No Unlocals
Localismo é um conceito ou uma ideia usada por surfistas locais que, por frequentarem todos os dias aquela praia, julgam ter mais direitos sobre aquelas ondas, se considerando os donos do pico. Dizem que é para preservar o local e não ter superlotação.
Só que para isso acontecer, usam agressividade verbal, física e até mesmo quebram o material, riscam e furam pneu dos carros de quem se atreveu a entrar naquele mar.
Galera bonita, saudável, sol, ondas, baladas e amigos… não é só isso… tem histórias bem sombrias também.
Os primeiros locais que intimidaram os haoles e transformavam um dia feliz em um dia de terror, ficaram conhecidos como “Gangues do Surfe”.
As mais famosas gangues do surfe
Uma das gangues mais antigas de localismo no surfe, foram os Bay Boys, de Palos Verdes States, na Califórnia, em 1960.
Uma grande família que amava o surfe e a comunidade de Lunada Bay fez fama com sua agressividade, vandalismo, assédio verbal e arremesso de pedras contra qualquer um que entrasse naquele mar para surfar.
A polícia ignorou por muito tempo esse abuso, mas os vários processos judiciais com multas de US$35.000 a US$90.000 ou a proibição de frequentar a praia por um ano, enfraqueceu a força do grupo a partir de 2023.As autoridades removeram as famosas estruturas de pedras ilegais dos penhascos, colocaram bancos e placas de boas vindas para visitantes.
Mais famosos ainda, os “The Black Shorts “
Em 1975 nasce os “Da Hui”, que significa “o clã” ou “clube” em havaiano, em North Shore, Oahu, Havaí. Também conhecidos por “The Black Shorts”, pois todos os membros usam calções pretos, enfrentaram os muitos haoles australianos e sul africanos e as grandes empresas que queriam controlar aquelas terras.
Quem não respeitava os costumes locais era colocado para fora.
E eu concordo com isso.O filme “Bustin Down The Door” mostra bem como era.
Mesmo com agressões, sua presença na comunidade era forte com mais de 400 membros contando com nomes de surfistas profissionais, e bem posicionada a ponto de surgir uma marca de roupas chamada “DaHui”.
Eles organizam eventos para a comunidade e são muito respeitados até hoje em dia.
Os mais agressivos
Na Austrália, em 1990, Maroubra, Sydney, surgiu os “Bra Boys”, considerada a mais violenta gangue de localismo de surfe do mundo que reunia jovens humildes que fugiam de suas realidades para o surfe.
Russell Crowe, em 2007, documentou os Bra Boys deixando-os mundialmente famosos.
Os três irmãos Abberton são mostrados no documentário com um lado sombrio e localismo implacável. Koby Abberton ficou famoso por surfar ondas gigantes. Os membros tem tatuagens com o código postal de Marouba “2035” e dizeres como “guardião do meu irmão”.No ano de 2002, houve uma briga com repercussão nacional, onde 160 membros deixaram 44 policiais feridos. Todos os membros são ligados a agressões, vandalismos, estupro e assassinato.Os irmãos e antigos membros seguiram suas vidas, e hoje os “Bra Boys” tem cerca de 300 membros de diferentes gerações e as lideranças atuais tem um posicionamento de apoio mútuo focado no surfe, combate ao bullying e acolhimento de jovens marginalizados.
Os filhotes dos DaHui?
“Wolfpak”, reuniu majoritariamente surfistas vindos da ilha de Kauai, quando os “DaHui” começaram a ser mais discretos em Pipeline, em 2001.
Cada vez mais crowdeado, o local precisava de liderança firme que fizesse com que moradores e seus costumes fossem seriamente respeitados.
Na água impunham hierarquia com violência verbal e física, e fora da água com vandalismo.
“The 808”, documenta debates sobre cultura havaiana versus excesso e intimidação no surfe.
A regra era simples: quem eles consideravam bom suficiente para surfar surfava, quem eles não consideravam não surfava.
Apesar de ter tido membros famosos como Andy Irons, Bruce Irons e Dustin Barca, perdeu força por tragédias pessoais e uso de drogas de integrantes.
A mistura de todos
O filme “The Surfer” com Nicolas Cage, de 2024, se passa na Austrália e recebeu críticas e elogios em igual quantidade.
Na minha opinião, o roteirista misturou histórias de localismo de várias gangues do mundo e mostrou o quanto é perigoso e, às vezes ridículo aqueles excessos.
O protagonista leva seu filho a praia onde ele cresceu e chegando lá são proibidos de surfar.
“Quem não mora aqui, não surfa aqui”, é o lema dos locais.
Seu filho volta para cidade, mas ele fica e o filme se passa no calor escaldante, sem comida, sem água, com polícia corrupta até o inesperado e violento final.
Aqui no Rio tem localismo.
Já ouvi histórias e tenho amigos que foram expulsos da água.
Tem lugares tensos…
Eu nunca tive problema em nenhum lugar.
A regra é simples: chegou cumprimente,
sente um pouco longe do pico e observe,
não drope na onda de ninguém,
se sentir tensão analise se vale a pena,
o Rio tem muitas praias com boas ondas
e se divirta!
Até a próxima! Ihiii!
Pedro Bento
@pedrobento28
