Os 5 desafios de Seedorf para evitar o rebaixamento do Corinthians

Esportes


Seedorf assume o Corinthians e volta a trabalhar como técnico após mais de sete anos
Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Seedorf assume o Corinthians e volta a trabalhar como técnico após mais de sete anos

Multicampeão como jogador, Clarence Seedorf, 50, retoma o ofício de treinador após mais de sete anos do último trabalho. Com passagem por quatro clubes e apenas 63 jogos na carreira, o holandês assume o Corinthians na maior crise do clube no Campeonato Brasileiro desde o rebaixamento em 2007. A oito rodadas do fim e apenas uma posição acima do Z4, o time apresenta a ele um cardápio de desafios urgentes para evitar a segunda queda da história do clube mais popular de São Paulo.

O primeiro deles, mais elementar, é interromper a pior série de derrotas do Corinthians na história dos pontos corridos. Lanterna do returno, o time vem de oito reveses em sequência e só permanece fincado na “portaria do Z4”, com 32 pontos, por ter um triunfo a mais que o Internacional.

Na próxima segunda-feira (19), contra o Vitória, na Neo Química Arena, é possível que o técnico faça a estreia no cargo com a equipe já na zona do rebaixamento. Isso acontecerá se o Internacional não perder para o Mirassol, na sexta-feira (16), fora de casa, ou o Grêmio, que tem 31 pontos, superar o Cruzeiro, no domingo (18), em Porto Alegre. Ademais, caso o Colorado vença, não bastará ao Timão um empate com os baianos, pois isso fará a equipe terminar a 31ª rodada dentro do Z4.

Seedorf tenta recuperar o compatriota Memphis Depay e alavancar o ataque

No Corinthians, Seedorf encontrará o compatriota Memphis Depay. Quarto colocado com a Holanda na Copa do Mundo de 1998, o ex-volante tem a missão de fazer o maior artilheiro da seleção europeia reencontrar o bom futebol. Com apenas um gol no ano, marcado há mais de seis meses (em 15 de março), e duas assistências, o camisa 10 faz sua pior temporada desde que chegou ao Timão.

Embora tenha conquistado a Supercopa do Brasil em janeiro, no primeiro semestre Memphis ficou afastado por um longo tempo após lesão e depois viveu uma novela para renovar o contrato. Além disso, desde que estendeu o vínculo teve desempenho pálido. Assim, ele esteve em seis das oito derrotas consecutivas no Brasileirão e perdeu um pênalti no último instante da eliminação nas oitavas de final da Copa Libertadores para o Estudiantes-ARG.

Em 2025, quando liderou o Corinthians nos títulos do Paulistão e da Copa do Brasil, o meio-campista fez 12 gols e deu oito assistências. Por isso, Seedorf conta com a volta da produtividade de Memphis Depay para melhorar a eficiência ofensiva da equipe. Na série de derrotas, foram apenas sete gols em oito jogos. No entanto, diante do Vitória o camisa 10 será desfalque por acúmulo de cartões. Ou seja, no primeiro ato haverá outras prioridades para o novo treinador.

FLAMENGO X CORINTHIANS - BRASILEIRO - MARACANA - 13-09-2026 - FOTOS: GILVAN DE SOUZA/FLAMENGO

Recuperar a solidez defensiva é o passo mais urgente

Com 19 gols sofridos, o Corinthians tem a terceira pior defesa do segundo turno, à frente apenas de Chapecoense e Coritiba. E 18 desses gols saíram na atual série de oito derrotas – média de 2,25 por partida nesse recorte. Quando venceu pela última vez, na 22ª rodada contra o Bragantino, a equipe tinha o quarto melhor setor defensivo e, àquela altura, brigava para entrar na zona da Libertadores.

No início do trabalho de Fernando Diniz, antecessor de Seedorf, o Corinthians se destacou pela solidez na defesa. A ponto de ele ter sido o primeiro treinador a não sofrer gols nos seus seis jogos iniciais à frente do clube. Uma junção de fatores, que vão de lesões e mudanças táticas ao foco dividido em três competições, fez o desempenho do setor decair.

No seu trabalho mais recente, com a seleção de Camarões em 2019, Seedorf sofreu 0,75 gol por partida – 9 em 12 jogos. Em entrevistas, o holandês já reiterou que busca equilíbrio no setor, associando a capacidade de sair jogando com o foco no “saber defender”. Porém, na passagem pelo Deportivo La Coruña, em 2018, quando chegou com missão similar à que terá no Corinthians, apresentou seus piores números na curta carreira de técnico. No clube espanhol, perdeu oito dos 16 jogos, levou 25 gols e não evitou o rebaixamento em La Liga.

Corinthians x Cruzeiro - Brasileiro - Marco Galvão/Cruzeiro

Resgatar força em Itaquera é blindar equipe da crise financeira

“Precisamos voltar a pontuar, ser protagonistas em casa, e isso não vinha acontecendo. Muitas derrotas seguidas. Junto com o presidente, tomamos a decisão”. Essa foi a justificativa apresentada pelo executivo Marcelo Paz para a demissão de Fernando Diniz. A menção ao desempenho na Neo Química não foi sem razão e nisto reside um dos desafios mais prementes de Clarence Seedorf.

O Corinthians tem seus piores números no estádio desde a sua inauguração, em 2014. O número de nove derrotas na temporada é recorde na história. A equipe perdeu os últimos quatro jogos que fez em Itaquera – incluindo a eliminação para o Estudiantes, na Libertadores -, algo que jamais havia acontecido. Para evitar a queda, o técnico holandês precisará transformar o apoio da Fiel em pontos. O Timão fará quatro partidas em casa na reta final. Caso some os 12 pontos, restará um apenas para os 45, patamar considerado suficiente para seguir na elite.

Além disso, Seedorf precisará utilizar sua experiência no futebol para blindar o elenco da sensível crise financeira. Após a goleada para o Palmeiras, o zagueiro Gabriel Paulista fez um forte desabafo sobre a “falta de proteção” da diretoria e citou como os salários atrasados afetam os jogadores, especialmente os mais jovens. Portanto, o novo técnico tem um conjunto de adversidades dentro e fora de campo para alcançar o objetivo único do momento: escapar do rebaixamento.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *