
Na ida, Palmeiras e Cerro Porteño empataram por 1 a 1. O gol dos paraguaios saiu nos acréscimos.
O Palmeiras encara na noite desta quarta-feira (19), no Paraguai, um desafio que ditará os rumos da temporada. Diante do Cerro Porteño, no Estádio General Pablo Rojas, o “La Nueva Olla”, o time busca dar fim à sua pior sequência no ano e evitar a pior campanha com Abel Ferreira na Copa Libertadores, prioridade atual do clube. Com o empate por 1 a 1 no jogo de ida, no Nubank Parque, o Verdão precisa vencer para ir às quartas de final. Em caso de empate, a definição será nos pênaltis.
No último sábado (15), o Palmeiras perdeu por 3 a 2 para o Fluminense, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, e chegou a quatro partidas seguidas sem vitória (dois empates e duas derrotas). A marca negativa é inédita na temporada e inclui a igualdade com o Cerro na ida, com o gol dos paraguaios saindo nos acréscimos, em falha do goleiro Carlos Miguel. A seca passou ainda por um revés para o Fortaleza por 3 a 2, pela Copa do Brasil, em Cuiabá, e empate sem gols com o Internacional, em casa, pelo Brasileirão.
O jejum de vitórias teve como uma das consequências mais danosas a “queima da gordura” no Brasileirão. A equipe ainda lidera a disputa, com três pontos a mais que o Flamengo (48 a 45). Porém, o rival tem um jogo a menos e saldo de gols superior. Ou seja, por pontos perdidos a primeira colocação é do Rubro-Negro.
Cenário inédito com Abel Ferreira na Copa Libertadores
A era Abel Ferreira é a mais vitoriosa da história do Palmeiras. Afinal, nenhum técnico conquistou mais títulos pelo clube que o português. E nesse período glorioso, com 11 troféus, o clube notabilizou-se por campanhas portentosas na Libertadores. Em seis edições com o treinador. são dois títulos, um vice-campeonato, duas quedas nas semifinais e apenas uma eliminação nas oitavas de final.
Assim, de 2020 para cá, somente uma vez o Verdão não terminou entre os quatro primeiros na competição sul-americana. A pior campanha aconteceu em 2024, quando o Palmeiras foi eliminado para o campeão Botafogo. Após perder por 2 a 1, no Estádio Nilton Santos, a equipe ficou no empate por 2 a 2, em casa, e deu seu adeus mais precoce com Abel.
Caso não supere o Cerro Porteño, o Verdão cairá pela segunda vez antes das quartas. No entanto, se isso ocorrer, a campanha será pior que a de dois anos atrás. Em 2024, o Palmeiras chegou ao mata-mata na condição de líder do seu grupo, com quatro vitórias e dois empates. Por isso, decidiu as oitavas como mandante. Na atual edição, o time ficou em segundo lugar da chave que foi liderada justamente pelo Cerro Porteño. Com 11 pontos (três vitórias, dois empates e uma derrota), teve seu pior desempenho na fase de grupos com Abel Ferreira.
“O Palmeiras não está a passar um bom momento, mas daqui a mais uma semana ou um ou dois jogos a gente vê”, disse Abel após a derrota para o Fluminense, adotando discurso otimista para o confronto no Paraguai.

Cair fora de casa é outro cenário desconhecido para Abel Ferreira
Além de evitar a sua pior campanha com o técnico europeu, o Palmeiras tenta sustentar outra escrita. Apenas uma vez com Abel Ferreira a equipe foi eliminada por um clube estrangeiro, fato que ocorreu nas semifinais de 2024, com insucesso nas penalidades contra o Boca Juniors, no Nubank Parque. Trocando em miúdos, jamais o Verdão deu adeus ao torneio nesse período no exterior. O levantamento não inclui a derrota para o Flamengo, na final do ano passado, em Lima, no Peru, por se tratar de campo neutro contra adversário brasileiro.
O cenário adverso se apresenta único com o treinador português justamente porque nas edições anteriores o Palmeiras fez uma fase de grupos melhor. De 2020 para cá, o Palmeiras disputou 16 jogos eliminatórios em ida e volta na Libertadores. Somente em um desses duelos a equipe precisou decidir fora de casa, no empate por 1 a 1 com o Atlético Mineiro, na semifinal de 2021. Na ocasião, a igualdade levou o Verdão à decisão porque ainda havia o gol fora como critério de desempate.
Nos outros 15 confrontos do tipo com Abel, o Palmeiras fez o segundo jogo na condição de mandante. Contra clubes estrangeiros, será a primeira vez que o português precisará decidir uma vaga fora do território brasileiro. Até hoje, foram dez encontros em mata-matas, sempre fazendo a volta no Nubank Parque. O primeiro desses embates foi a goleada por 5 a 0 sobre o uruguaio Delfin, nas oitavas de 2020. Por sua vez, o mais recente teve sabor especial: os 4 a 0 sobre a LDU, na semifinal de 2025, em uma virada histórica dos paulistas no confronto.

Cerro Porteño é adversário estrangeiro “mais conhecido” por Abel Ferreira
Neste ano, o Cerro Porteño tornou-se uma pedra no sapato do Palmeiras. Em três confrontos, foram dois empates e uma vitória dos paraguaios. No dia 20 de maio, o “El Ciclón” fez 1 a 0 no Verdão, no Nubank Parque, e pôs fim a 27 jogos de invencibilidade dos paulistas como mandantes na Libertadores. Ademais, o gol de Vegetti foi responsável por tirar do Alviverde a liderança do grupo e dá agora a vantagem ao Cerro de decidir o mata-mata em casa.
O retrospecto do confronto deste ano destoa, e muito, das temporadas anteriores. O Cerro Porteño é o clube estrangeiro que Abel Ferreira mais enfrentou no comando do Palmeiras. Em outras três edições, o treinador enfrentou os paraguaios e venceu todas, sendo quatro desses jogos foram pela fase de grupos (em 2023 e 2025). Já em 2022, os clubes rivalizam justamente nas oitavas e o Verdão atropelou, com placar agregado de 8 a 0 (3 a 0 no Paraguai e 5 a 0 em São Paulo).
“Futebol é isto, tem que ser eficaz, fizemos um jogo com volume, com oportunidades. Quem tem seis ou sete oportunidades e só faz um gol na Libertadores, tem que se queixar da falta de eficácia”, lamentou Abel após o empate por 1 a 1, na semana passada, justificando o resultado pela falta de pontaria ofensiva.

Prioidade no ano e blindagem a Abel Ferreira
O confronto desta noite ditará os rumos da temporada alviverde por diversas razões. Uma delas é o momento crítico, com jejum de vitórias e questionamentos a Abel por parte da torcida alviverde. Outra é a importância da Libertadores para o Verdão neste ano. Além do técnico, a presidente do clube, Leila Pereira, já declarou que o torneio é a prioridade.
Abel ainda não engoliu a derrota para o Flamengo por 1 a 0, na decisão de 2025. Até hoje, o técnico reclama do fato de o volante Erick Pulgar não ter sido expulso pelo árbitro uruguaio Dario Herrera por entrada em Bruno Fucks no início do jogo. Por isso, o desejo de chegar ao topo continental cinco anos após a conquista do bicampeonato se soma a esse sentimento de inconformismo.
Já para Leila Pereira, a Libertadores é uma espécie de obsessão por ser um título que falta em sua gestão. No cargo desde dezembro de 2021, a dirigente tem no currículo oito taças, incluindo duas do Brasileirão e quatro do Paulistão. “Até dezembro de 2027 eu ficaria muito feliz se conseguirmos conquistar (a Libertadores)”, disse Leila em maio. Porém, a pesar do momento ruim e da possibilidade de frustração na Libertadores, a presidente alviverde tem reiterado seu apoio ao trabalho do técnico português.
“Com minha total confiança, vamos em frente em busca de nossos objetivos. Temos muito a celebrar. O importante é que a Presidente do Palmeiras acredita no trabalho da comissão técnica, do diretor de futebol e em nossos jogadores. Vamos em frente. Avanti Palestra!”, escreveu Leila Pereira em post nas redes sociais às vésperas do duelo contra o Cerro Porteño.

