
Defesa tenta afastar força-tarefa responsável pelo inquérito
A tentativa de Julio Casares de interromper uma das investigações envolvendo sua passagem pela presidência do São Paulo sofreu mais um revés. O ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o pedido liminar apresentado pela defesa do ex-dirigente para suspender o inquérito sobre movimentações financeiras nas contas do clube e depósitos em contas pessoais, de acordo com o portal “Uol”.
O caso envolve saques de R$ 11 milhões em dinheiro vivo realizados nas contas do São Paulo e depósitos que totalizam R$ 1,5 milhão nas contas de Casares. As operações são investigadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O ex-presidente, em contrapartida, questiona a designação dos responsáveis pela apuração e a condução do procedimento.
Defesa de Casares questiona atuação do Ministério Público
No habeas corpus apresentado ao STJ, os advogados alegam que os promotores assumiram uma condução direta da investigação e direcionaram as diligências contra Casares. Outro argumento é que a força-tarefa responsável pelo acompanhamento do caso não teria atribuição legal para atuar daquela maneira.
A decisão inicial, entretanto, não identificou irregularidade na participação dos integrantes do MP. De acordo com o relator, a designação de uma equipe para trabalhar em conjunto com o promotor natural da investigação não configura, por si só, uma ilegalidade. O ministro também considerou que os questionamentos sobre a atuação dos promotores exigem uma análise mais aprofundada, incompatível com a decisão urgente solicitada pela defesa.
O pedido ainda não representa o julgamento definitivo do habeas corpus. O Ministério Público e as instâncias judiciais envolvidas deverão apresentar suas manifestações antes de uma análise mais ampla do caso. A Justiça de São Paulo já havia rejeitado uma contestação semelhante apresentada anteriormente por Casares.
Três frentes de investigação atingem o São Paulo
A apuração financeira é apenas uma das três investigações policiais relacionadas a possíveis irregularidades no São Paulo. Outra envolve a suspeita de exploração de camarotes clandestinos por dirigentes. A terceira busca esclarecer possíveis problemas em contratos ligados ao clube social.
O episódio financeiro ganhou repercussão após a identificação de saques sucessivos nas contas do Tricolor e depósitos em dinheiro nas contas pessoais do ex-presidente. Além disso, a investigação procura esclarecer a origem, a finalidade e o destino das movimentações. Até o momento, Casares permanece na condição de investigado, sem condenação pelos fatos apurados.
O caso também teve consequências políticas dentro do clube. Casares deixou a presidência após a crise que culminou em seu afastamento e renúncia, além de ter sido expulso do quadro associativo. O ex-dirigente, por outro lado, tenta reverter essa última decisão na Justiça.
