
Maradona morreu aos 60 anos em 2020 de complicações cardíacas
Diego Maradona apresentou sinais compatíveis com insuficiência cardíaca nos últimos dias de vida, mas os sintomas não receberam o acompanhamento necessário, segundo o patologista forense Carlos Mauricio Cassinelli. O especialista prestou depoimento nesta terça-feira (11), durante o julgamento que apura a responsabilidade de profissionais de saúde na morte do ex-jogador argentino, em 2020.
Cassinelli coordenou a junta médica criada em 2021 pela Justiça argentina para analisar as circunstâncias da morte de Maradona. Segundo ele, o ex-craque apresentava edema nos membros inferiores, inchaço nas mãos, falta de ar, ronco, micção excessiva, sinais de hipertensão e taquicardia.
“São todos sinais de alerta compatíveis com insuficiência cardíaca que deveriam ter sido tratados”, afirmou Cassinelli no tribunal.
Inchaço chamou atenção
O patologista destacou principalmente o inchaço excessivo apresentado por Maradona. Segundo ele, o edema indicava um acúmulo de líquido provocado pela dificuldade do coração em bombear adequadamente o sangue.
“Esta acumulação de líquido, aliás, era um sinal secundário de insuficiência cardíaca. O coração não consegue bombear a quantidade de sangue que recebe, e o líquido começa a espalhar-se para outras partes do corpo”, explicou o especialista.
Cassinelli afirmou ainda que a equipe médica tinha conhecimento dos sintomas, mas não alterou a estratégia de acompanhamento do ex-jogador. Para ele, os profissionais deveriam ter realizado uma consulta presencial, solicitado a avaliação de um cardiologista ou até mesmo levado Maradona novamente ao hospital.
Falta de acompanhamento médico
Outro ponto destacado pelo perito foi a ausência de um médico responsável pelo acompanhamento diário de Maradona durante o período em que ele permaneceu em casa, entre 11 e 25 de novembro de 2020.
Embora o neurocirurgião Leopoldo Luque e a psiquiatra Agustina Cosachov fossem apontados como responsáveis pelos cuidados domiciliares, Cassinelli afirmou, porém, que não havia um profissional encarregado de acompanhar de forma adequada a evolução do quadro clínico.
O especialista, inclusive, também citou o histórico de cardiomiopatia dilatada de Maradona e afirmou que o ex-jogador deveria ter mantido o tratamento para a doença crônica. Testemunhas ouvidas no processo ainda relataram que ele havia interrompido a medicação para hipertensão pouco antes de morrer.
Maradona morreu aos 60 anos
Diego Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em sua residência, na cidade de Tigre, na Argentina. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória após passar por uma cirurgia para retirada de um hematoma subdural.
A Justiça argentina julga sete profissionais de saúde por homicídio simples com dolo eventual. Além de Luque e Cosachov, respondem à ação Nancy Forlini, Carlos Díaz, Pedro Di Spagna, Mariano Perroni e Ricardo Almirón.
