por que CBF não realizou Brasileirão em 2000

Esportes


Gama entrou na Justiça Comum contra a CBF após queda no Brasileirão de 1999
Reprodução/Almanaque do Futebol Brasiliense

Gama entrou na Justiça Comum contra a CBF após queda no Brasileirão de 1999

Muitos lembram do Campeonato Brasileiro de 1987 ser marcado por não ter sido inteiramente organizado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), mas há outra edição que também sofreu com questões similares. No Brasileirão de 2000, a entidade não organizou a principal competição do país, em função de uma intrincada batalha jurídica que movimentou os tribunais esportivos do país.

Caso Hiroshi

Sandro Hiroshi, ex-atacante do São Paulo
Reprodução

Sandro Hiroshi, ex-atacante do São Paulo

Para entender a dinâmica relacionada ao  Campeonato Brasileiro de 2000, é preciso voltar ao ano de 1999. O São Paulo contava com um atacante chamado Sandro Hiroshi, que foi o principal estopim para o início de todo desenho que posteriormente iria parar nos tribunais esportivos.

O jogador foi escalado de forma irregular por problemas em sua transferência e falsificação de identidade. Botafogo e Internacional souberam da situação e acionaram o STJD (Tribunal de Justiça Desportiva), que puniu o clube paulista e repassou os pontos das partidas para cariocas e gaúchos.

A ação conjunta mudou drasticamente o cenário da competição. O Botafogo, por exemplo, se livrou do rebaixamento, e decretou a queda do Gama, do Distrito Federal, para a segunda divisão do Brasileirão.

A revolta do Gama

Gama conquistou a Série B de 1998
Reprodução/Sociedade Esportiva do Gama

Gama conquistou a Série B de 1998

O Gama não aceitou o rebaixamento fora das quatro linhas, e, respaldado por partidos políticos, ignorou leis proibidas pela FIFA e acionou a Justiça Comum para resolver o imbróglio.

Juízes de Brasília concederam liminares favoráveis ao clube do Centro-Oeste, determinando que a CBF estava impedida de realizar qualquer campeonato que excluísse o Gama da primeira divisão. Caso a entidade agisse de outra forma, sofreria com multas milionárias diárias e restrição em suas contas.

Jeitinho brasileiro

Vasco campeão da Copa Havelange de 2000
Reprodução/CRVG

Vasco campeão da Copa Havelange de 2000

Ciente das questões em que já estava envolvida após a ação do Gama, a CBF decidiu declarar-se incapaz de organizar a competição em 2000. O torneio foi repassado pela entidade máxima do futebol nacional ao Clube dos 13.

Por ser à época entidade privada, o Clube dos 13 não tinha direito de seguir as liminares impostas pela Justiça como a CBF. Ainda assim, alguns acordos foram firmados para a realização da competição, como a anulação do rebaixamento dos clubes de 1999, incluindo o Gama, e a criação de um megacampeonato com 116 times, chamado Copa João Havelange. O Fluminense, que havia conquistado o acesso da Série C para a Série B em 1999, pulou diretamente para a primeira divisão com o novo formato.

O torneio foi cercado de desconfiança, justamente por um ano anterior polêmico e pela ausência da CBF na organização. Por fim, o Vasco foi campeão após bater o São Caetano na final, empatando no Parque Antártica por 1 a 1, e vencendo no Maracanã, já em janeiro de 2001, por 3 a 1.



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