
Essa é uma pergunta que já me fizeram centenas de vezes na beira d’água: “Pedro, por que o mar tem ondas?” Já ouvi isso de aluno, de criança, de namorada de surfista que nunca entrou no mar e até mesmo de surfistas experientes. E eu acho essa pergunta sensacional, porque a resposta deixa tudo ainda mais legal.
Começou longe, bem longe…
Aquela onda que você surfou hoje de manhã não surgiu do nada na praia, ela viajou dias, às vezes até semanas e milhares de quilômetros antes de te encontrar. E tudo isso começou com o vento soprando forte no meio do oceano, agitando a água até formar ondulações. Essas ondulações crescem, ganham força, se organizam em séries e vão até a costa. Esse conjunto de ondas viajando se chama swell. Esses ventos no meio do oceano surgem devido ao aquecimento desigual da Terra pelo Sol, que cria variações na pressão atmosférica e faz com que o ar se desloque de áreas de alta pressão para áreas de baixa pressão.
A natureza trabalha em silêncio pra te entregar essas ondas e dias incríveis, sem cobrar nada em troca, e por isso agradeço toda vez que entro na água, pois acredito que assim como ela é generosa com a gente, devemos ser generosos com ela.
Por que e como as ondas quebram?
Em mar aberto, por ser muito fundo, não tem bancada, seja ela de areia, pedra ou coral, então as ondas viajam sem quebrar, organizadas e sem pressa. É só quando o mar começa a ficar mais raso, perto da costa, que a magia acontece, a base da onda para e o topo dela continua, fazendo com que a onda incline e forme o lip (crista da onda). Após o lip terminar o seu movimento de “tombo”, forma-se a espuma, e assim, temos uma onda surfável.
O que decide se essa onda vai ser boa ou ruim é o que está embaixo dela, o fundo do mar é importatíssimo para o surf. Em picos de fundo de areia, também chamados de beach break, as ondas variam de lugar e também em qualidade. Enquanto um pico com fundo de coral ou de pedra, também chamados de point break, formam ondas mais certinhas, sempre no mesmo lugar e que dificilmente fecham. Um exemplo de Beach Break é Saquarema, nosso Maracanã do surf, já Jeffreys Bay, uma das melhores direitas do mundo, é um Point Break.
Observe o mar antes de entrar
Antes de ir para água com o aluno, sempre falo para ele prestar atenção no mar, marcar o tempo entre as séries, ver aonde tem corrente e para que lado está indo, identificar as valas, onde vamos entrar e onde vamos surfar. Dessa forma, você começa a entender o mar e a se conectar com ele, pois apesar de nenhuma onda ser igual a outra, nem mesmo na piscina de ondas, o mar tem sempre padrões que podemos perceber e usarmos para surfar melhor, preste atenção.
São 5 a 10 minutos que vão te salvar de 20 a 30 minutos, ou às vezes até mais tempo quebrando a cabeça tentando entender o mar lá de dentro, o que é muito mais dificil. Esse é um hábito que vale tanto para quem é competidor quanto para quem surfa apenas no final de semana.
Mesmo aprendendo a ler o mar e as ondas, não devemos surfar tentando controlar tudo, a leitura das ondas é para que você se coloque no lugar certo e saiba reagir aos movimentos do mar.
Até a próxima! Ihii!
Pedro Bento @pedrobento28
