
A despedida turbulenta foi só o um capítulo de uma relação intensa entre Gerson e os rubro-negros.
As vaias tomaram conta do Maracanã na noite desta quarta-feira (19) durante Flamengo x Cruzeiro, pelas oitavas de final da Libertadores. O alvo era Gerson, meio-campista que hoje defende a Raposa Mineira e teve um primeiro tempo apagado sob forte hostilidade da torcida rubro-negra.
Horas depois da classificação, o Flamengo ainda usou o próprio Gerson para provocar, incluindo o ex-jogador em uma publicação sobre os “responsáveis pela vitória” nas redes sociais. Essa rejeição, porém, não é exclusividade do rubro-negro. O meio-campista também é malvisto pela torcida do Fluminense, clube onde foi revelado.

Gerson teve uma passagem bem abaixo do esperado no Zenit
Rússia: onde tudo começou a desandar
Gerson trocou o Flamengo pelo Zenit em julho de 2025, em um negócio de 25 milhões de euros que não pegou bem com a torcida, já que o clube havia reduzido justamente essa multa poucos meses antes, durante uma renovação de contrato. A passagem pela Rússia, no entanto, foi considerado um desastre esportivo. Gerson chegou já com desgaste físico e sofreu uma lesão de estresse logo nas primeiras semanas, ficando fora dos gramados por cerca de dois meses. Ao todo, disputou apenas 14 jogos e marcou um único gol antes de ser negociado com o Cruzeiro seis meses depois.
O rendimento em campo contrastou com a expectativa gerada pela contratação. Um ex-companheiro de Zenit chegou a declarar publicamente não entender o motivo da queda de produção do brasileiro. A curta e frustrante experiência russa reforçou, para boa parte da torcida do Flamengo, a sensação de que a saída não valeu a pena esportivamente, já que o jogador, que anteriormente havia sido convocado pelo técnico Ancelotti, saiu do radar da seleção brasileira.

Gerson
Dinheiro: o vilão da relação
O desgaste com o Flamengo não ficou restrito às arquibancadas e seguiu direto para os tribunais. O clube entrou na Justiça cobrando cerca de R$ 42 milhões de Gerson, referentes a uma cláusula de direitos de imagem prevista no contrato encerrado. Em resposta, o jogador não poupou palavras, classificando o processo como covarde e afirmando que o Flamengo agia “cego pelo desejo ardente de vingança” contra ele.
A disputa segue até hoje, mais de um ano depois da saída, o que mantém a relação entre as partes distante de qualquer tipo de reconciliação. Para boa parte da torcida, a saída para o Zenit em busca de um salário três vezes maior consolidou a imagem de “mercenário”, termo que passou a acompanhar Gerson desde o embarque para o Mundial de Clubes, quando torcedores levaram notas falsas de R$ 3 estampadas com o rosto dele.
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A torcida flamenguista se sentiu traída com a ida de Gerson ao Cruzeiro
Traição: o sentimento que restou
O retorno de Gerson ao Brasil, agora com a camisa do Cruzeiro, reabriu uma ferida que ainda não estava 100% cicatrizada na torcida do Flamengo. Depois de deixar o clube em busca de um salário maior na Rússia e viver uma experiência frustrante por lá, o jogador voltou ao país para enfrentar justamente o ex-time nas oitavas de final da Libertadores, reforçando a sensação de deslealdade, sem qualquer gratidão com a história construída na Gávea.
A relação de Gerson com a traição, no entanto, não nasceu com o Flamengo. O meio-campista foi revelado nas categorias de base do Fluminense, em Xerém, onde chegou ainda criança e passou por todas as etapas de formação até estrear no time profissional. Em 2019, ao retornar ao futebol brasileiro depois de uma passagem pela Roma, Gerson não escolheu o clube que o formou, mas sim o seu maior rival histórico, o Flamengo. O jogador nunca escondeu que era torcedor rubro-negro desde criança, o que tornou a escolha ainda mais dolorosa para quem acompanhou sua trajetória desde Xerém e fez seu nome carregar o rótulo de traidor também do outro lado do Rio de Janeiro.

