
Os trabalhos de Filipe Luís à frente do Monaco e do Flamengo têm semelhanças
A mudança de país não significou uma mudança completa na forma de Filipe Luís enxergar o futebol. Depois de uma passagem vitoriosa pelo Flamengo, o treinador levou para o Monaco ideias que já estavam presentes no trabalho realizado no Rio de Janeiro. Pressão alta, intensidade sem a bola, construção desde a defesa e participação ativa dos jogadores na proposta são alguns dos pontos que aproximam os dois trabalhos.
No Monaco, os primeiros resultados já deram força à comparação. A equipe começou a temporada com quatro vitórias consecutivas em jogos oficiais e mostrou, desde as primeiras partidas, características que remetem ao estilo adotado por Filipe no Flamengo. Na França, porém, o treinador começa a adaptar sua filosofia a um novo elenco e a um futebol diferente do brasileiro.
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Filipe Luís
Pressão começa no campo de ataque
No Flamengo, Filipe Luís construiu uma equipe que não esperava simplesmente o adversário para recuperar a bola. A intenção era incomodar a saída desde os primeiros metros e reagir rapidamente quando a posse fosse perdida. A pressão alta fazia parte da estratégia para manter o time próximo do gol adversário e recuperar a bola em condições favoráveis.
A ideia continua presente no Monaco. Em entrevista sobre sua comissão técnica, Filipe explicou que a equipe precisa estar preparada para “pressionar alto” e “defender muito alto”, o que exige dos jogadores capacidade para percorrer grandes distâncias durante os 90 minutos. A preparação física, portanto, aparece diretamente ligada ao modelo de jogo.
A intensidade também é uma característica que o treinador faz questão de levar para os treinamentos. Logo no primeiro dia de trabalho no clube francês, Filipe participou ativamente da atividade e explicou que gosta de estar próximo dos jogadores para corrigir os movimentos e acelerar a compreensão de suas ideias.
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Filipe Luís
Posse de bola para controlar o jogo
Com a bola, a lógica também é parecida. No Flamengo, Filipe Luís defendia uma equipe capaz de controlar as partidas através da posse, mas sem transformar a troca de passes em um objetivo por si só. A circulação servia para encontrar espaços, avançar pelo campo e manter o adversário sob pressão.
No Monaco, o treinador encontrou um elenco que tenta seguir a mesma lógica. A equipe busca construir as jogadas desde trás, aproximar os jogadores e ocupar o campo ofensivo. A diferença está nas soluções encontradas para executar o plano, já que Filipe conta agora com características diferentes das que tinha no Flamengo.
O próprio treinador resumiu sua preferência ao explicar a escolha pelo Monaco. Filipe afirmou que gosta de atacar, ter a posse e fazer com que o jogador que tenha a bola sempre encontre opções de passe. A declaração ajuda a entender por que a proposta apresentada na França mantém tantas semelhanças com a do período no futebol brasileiro.

Filipe Luís durante treinos do Monaco
Comissão técnica atravessa o Atlântico
A semelhança entre os dois trabalhos não fica restrita ao campo. Filipe Luís chegou ao Monaco acompanhado por Ivan Palanco e Diogo Linhares, profissionais que já trabalhavam com ele no Flamengo. O clube brasileiro confirmou a saída dos dois junto com o treinador em março.
A presença da dupla facilita a continuidade da metodologia. No Flamengo, Ivan tinha papel importante na organização dos treinamentos e na construção do modelo de jogo ao lado de Filipe. Diogo, por sua vez, era responsável pela preparação física e já conhecia as exigências do treinador.
No Monaco, os dois passaram a fazer parte novamente da estrutura de Filipe. O próprio treinador definiu Ivan como seu “braço direito” e explicou que o auxiliar participa da elaboração do modelo de jogo e da organização das sessões de treinamento.

Filipe Luís
Jovens também estão no radar
Outro ponto de aproximação está na relação com jogadores jovens. No Flamengo, Filipe Luís ficou conhecido por dar espaço a atletas formados no clube e por participar diretamente do desenvolvimento dos jogadores. No Monaco, ele encontrou um ambiente em que a formação de talentos também ocupa espaço importante no projeto.
Um dos nomes que chamou a atenção do treinador foi Lamine Camara. O meio-campista senegalês, de 22 anos, recebeu elogios públicos de Filipe antes do início da Ligue 1. O brasileiro destacou a capacidade do jogador sem a bola e sua disposição para trabalhar pelo coletivo.
Camara, inclusive, esteve entre os titulares do Monaco na vitória por 2 a 0 sobre o Olympique de Marseille. Outro jovem, Paris Brunner, também ganhou protagonismo no início da temporada e marcou os dois gols da partida. A utilização dos atletas mostra que a aposta em juventude também começa a fazer parte da nova etapa da carreira do treinador.
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