Quantas pranchas um surfista precisa ter?

Esportes


Pedro Bento e Amigos (Mena, Matheus, Pietro, João e Breno)
Alfabarrels P8

Pedro Bento e Amigos (Mena, Matheus, Pietro, João e Breno)

Essa é uma das perguntas que mais recebo dos meus alunos, e a resposta honesta é: “Depende”. Mas deixa eu te explicar do que depende, porque entender isso vai mudar a forma como você olha para a sua prancha, e talvez até te ajudar a guardar um dinheiro.

Antes de tudo, quiver é o conjunto de pranchas que um surfista tem para usar em diferentes condições. Assim como um jogador de golfe carrega um conjunto de tacos, cada um para uma situação específica, um bom surfista experiente tem pranchas diferentes para ondas pequenas, médias, grandes, tubulares e cheias. Cada prancha foi pensada para um tipo de mar.

Iniciante não precisa de quiver

Se você está aprendendo, você precisa de apenas uma prancha, e provavelmente ela deveria ser um longboard ou um funboard, que são pranchas mais largas, mais estáveis e que perdoam os erros de equilíbrio.

O erro que mais vejo acontecer é o iniciante querendo logo uma shortboard/pranchinha porque acha que vai “evoluir mais rápido”. Não vai. Vai frustrar. A pranchinha exige um nível de equilíbrio, leitura de onda e posicionamento que leva um bom tempo para construir. É como querer aprender a dirigir em uma Fórmula 1, o carro é incrível, mas vai te ensinar a bater, não a pilotar.

Quando uma segunda prancha faz sentido:

A partir do momento que você já consegue pegar ondas com consistência, já se posiciona bem no pico (local onde os surfistas ficam sentados esperando a onda) e já faz algumas manobras básicas, começa a perceber que sua prancha não serve para tudo. Mar grande e agitado pede uma prancha diferente do mar pequeno e fraco, e é nesse momento que uma segunda prancha começa a fazer sentido.

Uma combinação muito funcional para quem está nesse nível é ter uma prancha maior e mais volumosa para dias de ondas pequenas e uma prancha menor e para quando o mar estiver maior ou com ondas mais rápidas. Com duas pranchas assim, você consegue surfar bem em praticamente 90% das condições que vai encontrar nas praias brasileiras.

O quiver completo

Se você acompanha o CT (Championship Tour – Campeonato Mundial), já deve ter visto que os atletas profissionais viajam com sarcófagos recheados de pranchas. Ítalo Ferreira, Gabriel MedinaYago Dora sempre chegam em uma etapa com oito, dez, às vezes doze pranchas. Cada uma com medidas específicas, projetadas em conjunto com o shaper (quem fabrica a prancha) para aquela onda específica, naquelas condições específicas.

Para ondas grandes e tubulares como Teahupo’o, os surfistas usam pranchas menores e com menos volume, o que permite tirar um tubo mais profundo, porque mantém a velocidade da prancha, já para ondas menos tubulares e mais lentas, como às vezes acontece em Saquarema, usam pranchas com mais volume e área/meio para gerar velocidade mesmo em uma onda sem muita energia. É uma ciência, e é por isso que o shaper é um dos pilares mais importantes na carreira de um atleta de alto nível.

Volume/Litragem é realmente importante?

Se tem uma medida que também vai te ajudar a escolher a prancha certa, é a litragem (medida em litros), que define o quanto de flutuação e estabilidade a prancha oferece. Quanto mais volume, maior a flutuação e com isso, fica mais fácil entrar na onda e a prancha tem mais estabilidade, mas tem seus pontos negativos, como a dificuldade de movimentar a prancha. Já uma prancha com menos volume, é mais rápida nas manobras, mais difícil de controlar, mas exigem uma remada mais forte e um melhor posicionamento npara conseguir pegar a onda.

Porém, não se prenda apenas ao volume da prancha, ele é importante, mas também é necessário analisar outras medidas que fazem muita diferença na hora de escolher. Então, por isso, independente do seu nível de surf, sempre busque conversar com o seu shaper, explicando seus objetivos e dando as características físicas, porque dessa forma, ele vai conseguir entender e poder fazer a prancha ideal para você.

Como é o meu quiver

Confesso que tenho um carinho especial pelas minhas pranchas, porque cada uma tem história, cada uma me ensinou alguma manobra específica. A primeira prancha que surfei, a primeira em parceria com o Udo Bastos (meu shaper), fora várias outras que ainda estão em bom estado e estão comigo, porque não consigo me desfazer delas. Acho que todo surfista tem uma prancha que foi além do equipamento e virou memória.

Hoje, para competição e dia a dia, tenho um quiver bem funcional e que considero perfeito, um longboard clássico para dias de mar calmo e ondas pequenas, um progressivo para quando o mar está mais agitado e eu quero mais mobilidade, e uma mix (mistura do clássico e do progressivo) para treinar em qualquer tipo de mar. Esse foi o conjunto que me permitiu surfar 100 dias sem parar e que acredito ser o ideal para todos (intermediários e avançados), sejam eles surfistas de pranchinha ou pranchão.

E independente do seu nível, nunca deixe de conversar com seu shaper, estudar mais sobre o assunto e também conversar com outros surfistas, porque não sabemos de tudo e sempre pode aparecer uma novidade que pode fazer toda a diferença no seu surf.

Até a próxima! Ihii!

Pedro Bento
@pedrobento28





Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *