A eliminação para o Estudiantes na semifinal da Libertadores não provocou, isoladamente, um prejuízo no orçamento do Flamengo. Afinal, o clube projetou chegar justamente a essa fase da competição em 2026. No entanto, a queda impediu que o Rubro-Negro usasse a premiação de um eventual título continental para compensar déficits acumulados em outras áreas ao longo da temporada.
O Flamengo deixou a Libertadores com aproximadamente R$ 50 milhões em premiações. Assim, atingiu a meta esportiva que utilizou na elaboração do orçamento. Porém, a diretoria também contava com a possibilidade de superar as projeções em algumas competições para equilibrar resultados abaixo do esperado em outras receitas.
Nesse cenário, dois pontos pesam especialmente. O Flamengo arrecadou menos do que previa com a Copa do Brasil e também não alcançou a meta estabelecida para vendas de direitos econômicos de jogadores.
De acordo com informações do ge.globo, somadas, as diferenças chegam a R$ 94,4 milhões.
Copa do Brasil deixou déficit de R$ 16 milhões
O primeiro impacto ocorreu na Copa do Brasil. O Flamengo projetou chegar pelo menos à semifinal da competição. Entretanto, caiu logo na primeira fase que disputou, diante do Vitória.
Com isso, o clube deixou de arrecadar aproximadamente R$ 16 milhões em relação ao valor que havia incluído no orçamento.
A situação aumentou a importância de um desempenho acima da previsão em outros torneios. Nesse sentido, a Libertadores representava a principal oportunidade para gerar uma receita extraordinária ainda em 2026.
Porém, a eliminação diante do Estudiantes encerrou essa possibilidade.
Vendas ficaram R$ 78,4 milhões abaixo da meta
O Flamengo também não alcançou o valor previsto com negociações de jogadores. O orçamento estabeleceu uma arrecadação próxima de R$ 250 milhões em vendas de direitos econômicos.
Até agora, entretanto, o clube chegou a R$ 171,6 milhões. Portanto, existe uma diferença de R$ 78,4 milhões.
A diretoria recebeu propostas por jogadores considerados importantes, como Samuel Lino, Léo Pereira e Emerson Royal. Contudo, optou por manter parte do elenco para priorizar a disputa por títulos na temporada.
Assim, o Flamengo assumiu o risco de não cumprir a meta de vendas.
Ao juntar os R$ 78,4 milhões dessa área com os R$ 16 milhões da Copa do Brasil, o déficit em relação às duas projeções chega a R$ 94,4 milhões.
Título da Libertadores cobriria diferença
A conquista da Libertadores poderia mudar completamente esse cenário. Apenas o campeão recebe US$ 25 milhões pela decisão, valor equivalente a aproximadamente R$ 125,9 milhões na cotação utilizada na projeção.
Dessa maneira, somente a premiação do título seria suficiente para compensar os R$ 94,4 milhões e ainda deixar um saldo positivo.
O Flamengo, porém, caiu na semifinal. Depois de empatar por 0 a 0 com o Estudiantes no Maracanã, na quinta-feira (22), o Rubro-Negro perdeu por 3 a 2 nos pênaltis e encerrou sua participação no torneio.
Brasileirão não deve compensar perda
O Campeonato Brasileiro ainda oferece ao Flamengo uma possibilidade de título. Contudo, mesmo uma eventual conquista não provocaria grande alteração em relação ao orçamento.
Isso acontece porque o clube projetou a segunda colocação na Série A. Em 2025, a diferença entre as premiações destinadas ao campeão e ao vice ficou em aproximadamente R$ 2,3 milhões.
Portanto, ainda que o Flamengo termine o Brasileirão na primeira posição, o valor adicional ficará muito distante dos R$ 94,4 milhões que faltaram nas outras duas projeções.
Além disso, existe preocupação com outras receitas para os próximos anos. Em dezembro de 2025, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou que o Flamengo poderia faturar R$ 1,4 bilhão em 2026 mesmo sem conquistar títulos.
Posteriormente, porém, o dirigente citou uma possível perda anual de R$ 400 milhões diante de mudanças no cenário financeiro do clube. A incerteza sobre a continuidade do atual patrocínio master, que rende R$ 260 milhões por ano, também entrou nas discussões internas.
Bap ainda declarou que determinadas perdas de receita poderiam afetar investimentos, inclusive o pagamento de contratações como Lucas Paquetá. A fala provocou questionamentos internamente. Depois disso, o diretor de futebol José Boto afirmou que, dependendo do cenário financeiro, o Flamengo poderia precisar negociar jogadores importantes.
Agora, sem a possibilidade de conquistar a premiação máxima da Libertadores, o clube terá menos margem para compensar os resultados abaixo do orçamento registrados ao longo da temporada.
