
Regra que tira Vasco de casa já prejudicou brasileiros; relembre
Em meio à melhor campanha continental do clube em 15 anos, o Vasco da Gama deve ter uma importante baixa diante do Boca Juniors nas semifinais da Copa Sul-Americana: São Januário.
O regulamento da competição estabelece uma capacidade mínima de 30 mil espectadores para os estádios da penúltima fase do torneio, além de 4 mil lugares destinados aos visitantes. Com apenas 24.155 entradas disponíveis, a tradicional casa vascaína não deve ser aceita como opção pela CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol).

São Januário não atende a capacidade mínima exigida pela CONMEBOL para a semi
O plano B do Gigante da Colina é o Maracanã. No entanto, Flamengo e Fluminense, que comandam o local no momento, vetaram o pedido cruzmaltino. Agora, o clube presidido por Pedrinho judicializa o caso em busca de uma reviravolta.
Sem o Maraca, o Vasco consultou a situação da Arena da Amazônia, em Manaus, mas deve partir para o plano C: o Estádio Nilton Santos. Caso confirmado, a equipe carioca não seria a primeira brasileira a ter que mudar de casa em um jogo decisivo de Libertadores ou Sul-Americana, principais torneios da CONMEBOL. Relembre abaixo:
1) São Caetano (2002)

Pacaembu recebeu última taça paraguaia na Liberta e de noite traumática para o Azulão
Se você chegar em alguém mais jovem e falar que, há 24 anos, o São Caetano disputou uma final de Libertadores, é capaz da pessoa questionar sua sanidade mental, mas isso realmente aconteceu.
Vice-campeão brasileiro em dois anos consecutivos, para o Vasco em 2000 e para o Athletico Paranaense em 2001, o time do ABC Paulista fez uma campanha impecável e alcançou a grande decisão do torneio continental em 2002.
A trajetória inteira foi construída no simpático Estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul, na Região Metropolitana de São Paulo, mas a final não pôde ser disputada no local.
Nairo Ferreira de Souza, então presidente da equipe, até brigou para realizar o jogo de volta da decisão na casa do Azulão, no entanto, a CONMEBOL seguiu com o seu regulamento, que previa uma capacidade mínima de 40 mil espectadores para a fase.
Com a restrição, o São Caetano optou por jogar no Pacaembu, onde quase saiu campeão, abrindo o placar, mas levando a virada e perdendo para o Olimpia, do Paraguai, nos pênaltis.
2) Santos (2003)

Atropelo histórico do Boca Juniors de Carlos Bianchi no Santos aconteceu no Morumbi
O Santos viveu uma história muito parecida no ano seguinte. Na contramão da decisão de 1963, quando o clube fez questão de jogar contra o Boca Juniors no Maracanã, em 2003, o Peixe brigou pela Vila Belmiro.
Muito distante do requisito da CONMEBOL, o estádio alvinegro não foi aprovado. Com isso, a equipe paulista foi à capital do estado, mandando o seu jogo no Morumbi.
Assim como os bastidores, o final foi igual ao do São Caetano: derrota. Liderado pela jovem promessa Carlos Tévez, que brilharia no Corinthians anos depois, o Boca Juniors atropelou o Santos na casa são-paulina, conquistando o pentacampeonato.
3) Athletico Paranaense (2005)

Em 2005, Athletico foi derrotado em campo e nos bastidores pelo São Paulo
A briga mais quente por um estádio em uma final de Libertadores aconteceu em 2005. Em meio a uma ascenção histórica, o Athletico Paranaense chegou à decisão do torneio após superar o Chivas Guadalajara. Seu rival em busca do título seria o São Paulo.
Na época, a Arena da Baixada ainda não havia sido reformulada e contava com uma capacidade máxima de 25 mil espectadores. Sabendo do número mínimo de 40 mil lugares, Mario Celso Petraglia, presidente do clube, promoveu a instalação de uma arquibancada provisória, aumentando o número de ingressos para 34 mil.
Apesar disso, o São Paulo, alegando questões de segurança, pressionou a CONMEBOL para manter o veto à casa do Furacão. Com isso, a equipe paranaense tentou permanecer no estado, com uma negociação para jogar no Couto Pereira, estádio do arquirrival. As conversas não avançaram, portanto, o Athletico precisou mandar a ida da final no Beira-Rio, em Porto Alegre, a 714 km de Curitiba.
Sem a pressão característica da Arena da Baixada, o CAP apenas empatou o primeiro jogo da decisão, em 1 a 1, e foi atropelado na volta, por 4 a 0, ficando com a medalha de prata.
4) Santos (2011)

Maior título de Neymar pelo Santos foi conquistado no Pacaembu
Em 2011, o Santos retornava ao maior palco do futebol sul-americano pela primeira vez desde a acachapante derrota de 2003. Sem a Vila Belmiro, novamente barrada pelo requisito da CONMEBOL, o Peixe tinha o Morumbi como opção mais uma vez.
No entanto, o Alvinegro optou por decidir o confronto contra o Peñarol, do Uruguai, no Pacaembu. A escolha foi aprovada pelo elenco santista, liderado por Neymar e Paulo Henrique Ganso, que alegava uma pressão maior no estádio.
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No final, tudo deu certo para o Santos, que colocou mais de 40 mil pessoas no local e, com uma vitória por 2 a 1, sagrou-se tricampeão da competição.
5) Chapecoense (2016)

Estádio Couto Pereira seria o palco do jogo de volta da final da Sula de 2016
Na Copa Sul-Americana, um brasileiro também já foi afetado pelo regulamento da CONMEBOL sobre os estádios e suas capacidades. Em 2016, a Chapecoense fez uma campanha histórica e chegou à final do torneio.
A trajetória inteira foi marcada pela torcida presente na simpática Arena Condá, em Chapecó, que não poderia receber o jogo decisivo, diante do Atlético Nacional, da Colômbia, por causa de seu tamanho.
Com isso, o time catarinense teve diversas possibilidades para mandar a segunda metade da final. As principais foram o Beira-Rio, do Internacional, a Arena da Baixada, do Athletico Paranaense, e o Couto Pereira, do Coritiba.
Citando as cores do estádio (verde e branco) e o gramado natural, Mauro Stümpf, vice-presidente da Chapecoense, justificou a escolha pelo Couto Pereira, em Curitiba.
Por um trágico acidente, no entanto, a Chape não decidiu a primeira final internacional de sua história na capital paranaense. O voo Lamia 2933, que levava a delegação para o jogo de ida, em Medellín, bateu em um monte próximo ao aeroporto.
A queda, que aconteceu devido à uma pane seca, vitimou 71 pessoas, incluindo 19 integrandes do elenco da equipe catarinense. Apenas três jogadores que estavam à bordo sobreviveram: o goleiro Jakson Follmann, o zagueiro Neto e o lateral Alan Ruschel.
A pedido do Atlético Nacional, a final não foi realizada e o troféu de campeão da Copa Sul-Americana de 2016 ficou com a Chapecoense.
