Reino Unido quer argentinos fora da final por ação política

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Enzo Fernández e Messi comemoram gol de empate da Argentina
Reprodução/Instagram afaseleccion

Enzo Fernández e Messi comemoram gol de empate da Argentina

O governo britânico pediu à FIFA para investigar um ato político na semifinal envolvendo a comemoração argentina. Em uma das cartas enviadas, foi sugerido que os jogadores que seguraram uma faixa com os dizeres ‘As Malvinas são argentinas‘ fossem suspensos da final da Copa do Mundo. Ed Davey, líder dos Democratas Liberais, o terceiro partido britânico, citou o caso envolvendo os jogadores espanhóis Rodri e Morata, que foram suspensos por um jogo pela UEFA por cantarem ‘Gibraltar Espanhol’.

O secretário de Negócios do Reino Unido, Peter Kyle, também se manifestou, classificando o comportamento dos jogadores argentinos como totalmente inapropriado e pedindo que a FIFA conduzisse uma investigação completa sobre o episódio.

Jogadores da Argentina podem sofrer mesma punição do que atleta da Coreia do Sul
Reprodução/X

Jogadores da Argentina podem sofrer mesma punição do que atleta da Coreia do Sul

Outras punições por atos políticos

O código disciplinar da FIFA proíbe qualquer mensagem de natureza política, ideológica, religiosa ou ofensiva nos estádios, com multas que variam entre 5.000 e 20.000 dólares. Em junho de 2014, dias antes da Copa do Brasil, jogadores argentinos exibiram a mesma faixa das Malvinas em um amistoso em Buenos Aires e a federação foi multada em 30.000 francos suíços.

O caso mais próximo do atual envolveu o sul-coreano Park Jong-woo, nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Após a vitória da Coreia do Sul sobre o Japão pela medalha de bronze, o jogador entrou no gramado com uma faixa de um torcedor com os dizeres ‘Dokdo é nosso território’, referência a uma disputa territorial entre os dois países. A FIFA suspendeu Park Jong-woo por dois jogos das eliminatórias para a Copa de 2014.

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A posição de Milei

O presidente argentino Javier Milei apoiou os jogadores de seu país, mas ressaltou a importância de separar a política do esporte. O governante disse que entende esse sentimento nacionalista e que ele está presente dentro de todo argentino, mas que o país recuperaria as Malvinas de forma diplomática. Milei finalizou dizendo que no pior dos cenários a Argentina receberia uma multa de 30 mil dolares.

O contexto político

A Guerra das Malvinas começou em abril de 1982, em um contexto político conturbado nos dois países envolvidos. A ditadura militar argentina enfrentava uma crise interna e viu, na retomada do arquipélago, uma oportunidade de recuperar o apoio público e desviar a atenção dos problemas do país. Do outro lado, o Reino Unido, sob o comando de Margaret Thatcher, lidava com uma forte recessão e desemprego em alta. Para a “Dama de Ferro”, a resposta militar rápida foi a chance perfeita para reafirmar o poder imperial britânico e salvar sua própria popularidade. Apesar da proximidade do território argentino, a superioridade bélica da Inglaterra logo se sobressaiu, resultando na rendição argentina em junho do mesmo ano.

Para os ingleses, as ilhas são conhecidas como Falklands e têm como capital Stanley. Já para os argentinos, são as Ilhas Malvinas, com a capital chamada Puerto Argentino. Até hoje, os sul-americanos reivindicam o comando do arquipélago, que está a apenas 550 quilômetros do litoral argentino, enquanto mais de 12 mil quilômetros o separam da Inglaterra.



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