
Pelé comemora a conquista do tricampeonato
Dos cinco títulos mundiais da seleção brasileira, o de 1970, na Copa do Mundo do México, tem um lugar especial no coração dos amantes do futebol. Para muitos, a equipe do técnico Mário Jorge Lobo Zagallo, que tinha nomes como Pelé, Rivelino, Carlos Alberto Torres, Tostão e Jairzinho, está entre as principais da história do futebol mundial.
Não à toa, no próximo dia 29 de maio, a Netflix lançará a minissérie “Brasil 70: A Saga do Tri”. Com a participação de atores como Rodrigo Santoro e Bruno Mazzeo, a obra retratará os bastidores da conquista.
Aqui, o JOGO A JOGO traz para vocês as principais curiosidades e destaques da participação do Brasil no torneio.
Elenco e time titular
- Goleiros: Félix (Fluminense), Leão (Palmeiras) e Ado (Corinthians);
- Zagueiros e laterais: Carlos Alberto Torres (Santos), Zé Maria (Portuguesa), Marco Antônio (Fluminense), Everaldo (Grêmio), Brito (Flamengo), Piazza (Cruzeiro), Baldocchi (Palmeiras), Fontana (Cruzeiro) e Joel (Santos);
- Meias: Clodoaldo (Santos), Gérson (São Paulo), Rivellino (Corinthians) e Paulo Cézar Caju (Botafogo);
- Atacantes: Jairzinho (Botafogo), Tostão (Cruzeiro), Pelé (Santos), Roberto (Botafogo), Edu (Santos) e Dario (Atlético Mineiro).
O time base escalado por Zagallo em grande parte da campanha era formado por: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Pelé e Tostão.
100% de aproveitamento
Ao longo da história, até os dias de hoje, a seleção de 1970 é a única a conseguir a façanha de vencer todos os jogos das Eliminatórias e da Copa do Mundo. Na competição qualificatória foram seis partidas no Grupo 2, ao lado de Venezuela, Paraguai e Colômbia, com 23 gols marcados e somente dois sofridos.
Já em solo mexicano, Pelé e companhia ficaram no primeiro lugar do Grupo 3, com Inglaterra, Romênia e Tchecoslováquia. Em seguida, nas quartas de final, eles passaram pelo Peru, vencendo por 4 a 2. Nas semis, tiveram outra batalha sul-americana, esta contra o Uruguai. A vitória foi suada por 3 a 1.
A grande decisão foi contra a Itália. No Estádio Azteca, na Cidade do México, o Brasil venceu por 4 a 1 em 21 de junho de 1970. Os gols canarinhos foram marcados por Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres. Para os italianos, marcou Boninsegna.
Troca no comando técnico
Apesar de a caminhada dentro de campo para chegar ao México ter sido bem tranquila, fora a situação era diferente. O treinador era João Saldanha, que entrou em rota de colisão com dirigentes e políticos da época. Em 1970, o Brasil vivia o auge da ditadura militar.
A demissão do técnico aconteceu em 17 de março, faltando 78 dias para o começo do Mundial. Saldanha não aceita sofrer interferências do presidente da república, o general Emílio Garrastazu Médici, que queria a convocação do atacante Dadá Maravilha.
A situação originou a seguinte declaração do treinador: “Eu não escalo o ministério e nem o presidente escala o meu time”. Há quem diga também que ele pensava em nçao convocar o Pelé.
Com a saída de João Saldanha, Zagallo foi anunciado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) logo no dia seguinte, em 18 de março.
Lances icônicos
A Copa do Mundo de 1970 é repleta de lances icônicos e que entraram para a memória eterna da competição da FIFA. Entre os principais estão:
O gol que o Pelé não fez
Na vitória de sobre a Tchecoslováquia por 4 a 1 na primeira rodada da primeira fase, Pelé chutou uma bola do meio de campo,que encobriu o goleiro e passou bem perto da trave. O lance aconteceu aos 13 minutos do primeiro tempo.
A defesa do século
Ainda na fase de grupos, no segundo jogo diante da Inglaterra, na vitória de 1 a 0, Pelé cabeceou uma bola na pequena área para o goleiro Gordon Banks, em cima da linha, evitar o gol. Aos 10 minutos da etapa inicial da partida, o lance foi apelidado de a “defesa do século”.
Drible de corpo
Na semifinal, frente aos uruguaios, na vitória de 3 a 1, aos 44 minutos do segundo tempo, Pelé recebeu a bola de Tostão e com um jogo de corpo tirou o goleiro da jogada. O Rei tocou a bola por um lado e, correndo, chegou pelo outro. A bola passou raspando na trave.
Trabalho coletivo
Na decisão do título, na goleada de 4 a 1 sobre a Itália, o Brasil deu um show de coletividade. Aos 41 minutos da segunda etapa, nove jogadores tiveram a bola, dando 29 passes em 30 segundos, até que o lateral e capitão Carlos Alberto Torres finalizasse com estilo no canto direito do goleiro Enrico Albertosi.
Mundial a cores
A Copa de 1970 foi a primeira que contou com imagens televisivas coloridas. No entanto, por conta do alto custo da tecnologia por aqui, muitos brasileiros acompanharam os jogos em preto e branco.
Despedida da Jules Rimet
Até está edição do torneio, a taça dada ao país campeão era a Julis Rimet. O troféu como hoje é conhecido passou a ser adotado a partir de 1974, na Copa do Mundo da Alemanha.
Anos depois, em 1983, criminosos roubaram a Julis Rimet original na sede da CBD, na Rua da Alfândega, número 70, no Centro do Rio de Janeiro. Especula-se que ela foi derretida. Esse foi o segundo roubo do objeto. O primeiro aconteceu em Londres, na Inglaterra, em 1966.

