
Caçadores de emoção
Existem muitos e muitos filmes sobre o surfe. O mais conhecido no Brasil é um desenho animado de longa metragem, atualmente é “Tá dando onda”, Surf’s up, um filme para a família.
“Tá dando onda” foi lançado em 2007, mas como o surfe com Gabriel Medina se tornou um boom, este desenho consequentemente também. A história é um “falso documentário” sobre um pinguim chamado Cadu, que sonha em sair do Frio de Janeiro (ilha em que vive) e virar surfista profissional. Até que o “bonde” que é uma baleia que carrega os competidores passa por lá e ele tem a oportunidade de seguir seu sonho.
Cadu é considerado vagabundo, claro, por não querer fazer o que os pinguins fazem e só querer surfar.
Cinegrafistas ficam atrás dele gravando até que ele consegue ir para a Ilha Pen Gu competir.
Um longa metragem em forma desenho animado muito bem feito com a ajuda de surfistas profissionais explicando como desenhar o mar e as ondas. Com a “especial participação” de Kelly Slater e Rob Machado interpretando a eles mesmos na versão pinguim.
Antes deste, em 1991, o segundo mais conhecido para o público geral, é o “Caçadores de Emoção”, Point Break, que mistura surfe e um pouco de skate. Patrick Swayze interpreta o líder de uma gangue de surfistas que rouba banco mascarados com as caras dos ex presidentes dos Estados Unidos, para com aquele dinheiro, viajar atrás de ondas.
Keane Reeves é um agente do FBI que se disfarça de surfista amador e se infiltra entre eles a fim de descobrir quem são os assaltantes de banco.
Emoções e exageros tentando convencer que aquelas atitudes valem a pena para se manter um estilo de vida livre.
“Gidget, de 1959, ficou odiado pelos surfistas puristas que não queriam que as ondas de Malibu ficassem conhecidas e, consequentemente, crowdeadas, lotadas.
As cenas do surfe são tipos aquelas dos filmes antigos do Batman. Terríveis. Fundo falso. Engraçado.
E o surfe, para “odio” da tribo, começou a ter notoriedade.
The Endless Summer, de 1966, gravado por Bruce Brow, acompanha dois surfistas com planos de irem surfar na África do Sul, mas chegando lá descobrem que por mais US$ 50 pagam uma passagem para “dar a volta ao mundo”.
Viajaram para Austrália, Nova Zelândia, Taiti, Havaí, Senegal, Gana, Nigeria e África do Sul.
Ironicamente passando, sem parar, na hoje tão querida e temida Jeffreys Bay.
“Morning of the earth”, A manhã da Terra, de 1972, apresenta as desconhecidas ondas da Indonésia. Virou a febre para se querer viver sem teto, descalço, barbudo e descabelado.
“Five Summer Stories”, Cinco histórias de verão, 1972, com Guerry Lopez, Eddie Aikau, David Nuuhiwa, Sam Hawk, quem não os conhece!
Um dos maiores filmes de surfe. Alta qualidade ilustrando o cenário cultural e a mudança que o esporte vivia naquele momento. Dos pranchões (longboards) para pranchinhas ( shortboards), música boa da banda de rock Honk e clássicas dos Beach Boys.
“Big Wednesday “, Quarta-feira gigante, de 1978, com três amigos que surfam, se divertem, se casam e “enfrentam” a guerra do Vietnã. Se distanciam pelos motivos que a vida impõe. Interessante assistir.
“North Shore”, Costa Norte, 1987, é um dos favoritos dos mais velhos. Um jovem do Arizona vai surfar as pesadas ondas de Pipeline, Havaí, irritando os locais e conquistando uma menina linda.
Participação especial de Laird Hamilton.
“Monumentum Generation”, 1990, mostra jovens morando juntos e amontoados numa casa em North Shore, Havaí.
Ícones dos anos 90, como o 11 vezes campeão Kelly Slater, Rob Machado e outros.
“Dogtown and Z Boys”, narrado por Sean Penn, de 2001, para quem gosta do esporte radical e skate. Dogtown, um bairro esquecido de Los Angeles com surfistas locais agressivos.
Ali nasce a cultura de que quando não tem onda, tem skate!
As piscinas vazias por causa da grande seca, são o bowl perfeito de superfície côncava para se “inventar” o skate vertical e manobras áreas nunca feitas antes.
“Blue Crush”, 2002, filme para, ou, de meninas surfistas. A protagonista precisa superar um trauma sofrido no mar onde quase se afogou durante uma competição.
É responsável, mora com amigas, cuida de sua irmã mais nova e trabalha como camareira de um hotel. Até que conhece um lindo jogador de futebol americano!
Filme de menininhas!
“Riding Giants”, No limite da Emoção, 2004, é sobre evolução do surfe de ondas gigantes.
A coragem dos pioneiros.
“Surf wise”, de 2007, mostra a história real de Doc Paskowitz, um médico jovem formado em Stanford, levar sua jovem mulher para viver num trailer em 1960. Ele não se adaptava a vida consumista da cidade e, literalmente, chutou o balde. Por 25 anos rodaram a América.
Criaram nove filhos de forma disciplinada, sem frequentar escolas foram alfabetizadas pelos pais com muita leitura, viagem e surfe. Nada de alimentos processados nem doces. Com enorme desapego financeiro.
Considerados a primeira família surfe dos Estados Unidos.
Quando as crianças crescem começam problemas de privacidade, isolamento social, dificuldades para trabalhar e temperamento controlador do pai.
“Soul Surfers”, Coragem de Viver, 2011, baseado na história real da surfista profissional Bethany Hamilton que, foi mordida por um tubarão e perdeu um de seus braços. Voltou a competir. Comovente.
“Nord for Sola”, Norte do Sol, 2012, documentário da vida de Inge Wegge e Jorn Ranun, noruegueses que passam nove meses ao Norte do Círculo Polar Ártico, surfando numa praia isolada e quase sem sol.
Ao percebem a quantidade de lixo que chegava, resolveram coletar e, infelizmente, o total foi de 30 toneladas de lixo em apenas 9 meses. Triste.
Sobre amizade, beleza, desapego, dificuldades e surfe congelante.
“A onda de 100 pés”, 2021, o que equivale cerca de 30 metros de altura, mostra o norte americano Garrett McNamara descobrindo o “Canhão de Nazaré”, e transformando a tranquila vila de pescadores portuguesa na capital mundial de ondas gigantes.
“The Surfer”, O Surfista, com Nicolas Cage, de 2024, conta a estória de um homem que volta para sua terra Natal, Austrália, depois de muitos anos para tentar recomprar sua antiga casa e mostrar para seu filho sobre o mar.
Só que após tanto tempo, tudo mudou. Os agora surfistas locais impuseram a regra de “não mora aqui, não surfa aqui”.
Cage é humilhado, agredido e roubado.
O filme mostra o limite da sanidade do protagonista.
Filmes de surfe são inspiradores. Interessante é ter a certeza que estar no mar, na natureza, sozinho, com amigos, pegar uma onda, um tubo, um floater, uma batida e um pé no bico são as melhores coisas do mundo.
Até a próxima! Ihiii!
Pedro Bento
@pedrobento28
