Tatiana Weston-Webb: a brasileira havaiana

Esportes


Tatiana Weston-Webb - Olimpíada
ISA – Jimenez

Tatiana Weston-Webb – Olimpíada

Como você vira ídolo de um país que você nunca viveu? Tatiana Weston-Webb fez isso com naturalidade e com uma das histórias mais curiosas do surf mundial. Gaúcha de nascimento, havaiana de criação, passaporte americano e coração brasileiro, tudo isso ao mesmo tempo.

Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1996, filha do surfista inglês Douglas Weston-Webb e da bodyboarder brasileira Tanira Guimarães, e com apenas dois meses de vida, foi para o Havaí com os pais e cresceu em Kauai, uma das ilhas mais lindas, com ondas perfeitas, mas também bem perigosas. O surf já estava no sangue da família, então era inevitável que Tatiana fosse começar a surfar cedo ou tarde.

Segundo ela, sua primeira memória com o surf é de quando tinha dois anos, usando uma prancha laranja bem grande e seu pai já a empurrava nas marolas. E desde aquele momento, amou o sentimento e o surf se tornou parte da sua vida.

A dublê de Bethany Hamilton

Aos oito anos, Tatiana aprendeu a surfar de verdade acompanhando seu irmão mais velho, Troy. Ela e seu pai iam com frequência a Hanalei Bay, uma direita sensacional, mas pesada, fazendo com que ela crescesse sem o medo de surfar ondas maiores, um detalhe importantíssimo que faz muita diferença na vida de um surfista, seja ele profissional ou não, porque um surfista que cresce surfando em ondas maiores também, tem uma relação completamente diferente de quem só surfa em onda pequena.

Aos 11 anos, Tatiana foi escolhida para ser dublê de Anna Sophia no filme Soul Surfer, que conta a história da vida de Bethany Hamilton, a surfista americana que perdeu o braço esquerdo em um ataque de tubarão, e mesmo assim, voltou a competir profissionalmente após o ataque. Ela passou três semanas nas filmagens ao lado da surfista que mais admirava na época, realizando o sonho de qualquer criança que gosta de surf e que gostaria de participar de um filme de surf com seu ídolo.

De estreante a vice-campeã mundial

Em 2015, aos 19 anos, Tati estreou no CT, principal campeonato de surf do mundo, foi escolhida a estreante do ano, e no ano seguinte, venceu seu primeiro evento, o US Open em Huntington Beach, na Califórnia, superando Malia Manuel, ótima surfista, na final, resultado que fez ela saltar para o quarto lugar do ranking. Foi uma estreia de quem chegou para ficar, mostrou que não estava ali para brincadeira.

Seu melhor resultado foi em 2021, quando terminou a temporada como vice-líder mundial, atrás apenas de Carissa Moore, com a campanha mais consistente de sua carreira até hoje. Conquistar esse resultado em um ano em que a Carissa estava dominando o circuito e vencendo de todo mundo, não é nem um pouco fácil, Tatiana estava enfrentando uma das melhores surfistas de todos os em tempos em seu auge.

A mudança de nacionalidade

Para mim, esse é um dos pontos mais interessantes da carreira da Tatiana, pois ela não precisava se tornar brasileira, ela cresceu no Havaí, competia representando eles e sempre teve uma ótima vida nos Estados Unidos, não tinha motivo para mudar, ela poderia ter seguido assim tranquilamente. Porém, quando o Comitê Olímpico Brasileiro entrou em contato e apresentou uma proposta para ela representar o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio, ela nem pensou, disse sim na hora.

Quando questionada sobre essa decisão, ela foi direta: “Quando eu decidi virar brasileira, minha vida mudou. Eu estou representando mais do que um país, estou representando pessoas que sonham e lutam para correr atrás dos seus sonhos.”

E isso não é ‘papinho’ para fazer média com os fãs brasileiros, quem acompanha ela nas competições, vê a raça e a intensidade que ela coloca em cada bateria representando o país.

Medalha de Prata no Taiti

Em Paris 2024, nas ondas de Teahupo’o no Taiti e na segunda olimpíada com surf, Tati chegou à final olímpica, mas perdeu a medalha de ouro para a americana Caroline Marks por apenas 0.18, uma diferença muito pequena e que muitos surfistas conseguem em uma única manobra. Conquistou a prata, após uma ótima campanha, pegando ondas lindas, indo muito bem em cada bateria e se tornou a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha olímpica no surf.

O que podemos esperar dela

Tatiana tem 30 anos, está em sua melhor fase técnica da carreira e em busca do seu primeiro título mundial, que merece ganhar antes de aposentar. Essa é a conquista que falta na história dela, e que todos os fãs e eu, torcemos para que aconteça em breve e da melhor forma possível.

Em uma geração em que o surf feminino brasileiro ainda busca seu espaço diante do domínio de Medina, Ítalo, Yago e Filipe, Tati é a prova de que o Brasil também pode começar a tomar conta do surf feminino em pouquíssimo tempo. E além dela, temos outra ótima surfista que já está no CT, a Luana Silva, que já está ajudando a Tatiana a desmbancar as líderes atuais e mostrar a força do Brasil no surf feminino.

Até a próxima! Ihii!

Pedro Bento
@pedrobento28





Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *