Parece história de ficção, e que poderia até render um filme, mas não é. Danny Scopes, técnico do Billericay Town, que disputa a quinta divisão da Inglaterra, assumiu o comando da seleção masculina de Sealand, uma micronação localizada no Mar do Norte, no sudeste da Grã-Bretanha, que tem apenas um residente permanente.
Aos 52 anos, o técnico vai conciliar as duas funções. A novidade chama a atenção porque Scopes acaba de renovar seu contrato com o Billericay por mais três temporadas e trabalha para levar o clube à National League, uma das principais divisões do futebol semiprofissional inglês.
O anúncio aconteceu nesta sexta-feira (6), nas redes sociais, e a própria associação de futebol de Sealand confirmou a contratação. Em comunicado, a entidade destacou que não buscava uma personalidade famosa, mas um profissional disposto a oferecer oportunidades a jogadores que ainda não conseguiram espaço no cenário internacional.
A escolha também representa um desafio diferente para Scopes. Isso porque Sealand ainda não tem um elenco formado. Portanto, o treinador precisará organizar avaliações para selecionar os jogadores que defenderão a equipe em seu próximo compromisso oficial.
A micronação fica em uma antiga plataforma marítima na costa de Suffolk, na Inglaterra. Embora reivindique independência, Sealand não recebe reconhecimento internacional como Estado e também não integra a estrutura oficial da Fifa ou da Uefa. Por esse motivo, a seleção disputa partidas fora das competições tradicionais organizadas pelas entidades.
Além disso, a equipe manda seus jogos no Broadfield Stadium, em Crawley, na Inglaterra. A associação de futebol de Sealand surgiu em 2004, enquanto a micronação declarou sua independência em 1967, sob liderança do major Paddy Roy Bates.
A seleção de Sealand, inclusive, já contou com nomes conhecidos do futebol inglês. Em 2013, por exemplo, Julian Dicks, ex-jogador de West Ham e Liverpool, comandou a equipe. Além disso, o ator Ralf Little e ex-atletas profissionais, como Derek Stillie e Simon Charlton, já vestiram a camisa da micronação.

A história de Sealand
Sealand foi construída nas ruínas de uma antiga fortaleza militar construída pelo Reino Unido em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, para proteger a costa inglesa de possíveis ataques alemães. Depois do conflito, a estrutura, chamada Roughs Tower, ficou abandonada no Mar do Norte, a cerca de 11 quilômetros da costa da Inglaterra.
Em 1967, o ex-major do Exército britânico Roy Bates ocupou a plataforma e, em 2 de setembro daquele ano, declarou sua independência, fundando o Principado de Sealand. A iniciativa também surgiu após Bates enfrentar problemas com o governo britânico por operar uma rádio pirata. Ele transformou a estrutura em uma espécie de país, criou uma bandeira, uma Constituição, uma moeda, passaportes e um governo próprio.
Apesar de se declarar independente e funcionar como uma monarquia hereditária comandada pela família Bates, Sealand não tem reconhecimento oficial de nenhum país nem integra a Organização das Nações Unidas (ONU). Por isso, a comunidade internacional não considera o território um Estado soberano.
A plataforma tem aproximadamente 1.300 metros quadrados e apenas um morador permanente: Mike Barrington, responsável também por atividades de manutenção e segurança. A família Bates, entretanto, continua administrando o principado. Milhares de seguidores nas redes sociais acompanham o projeto pela internet e podem, inclusive, adquirir uma espécie de cidadania eletrônica, com direito a passaporte.
