
Camiseta alusiva à Democracia Corinthiana do arquivo pessoal do jornalista Vitor Guedes
Em nenhum momento o clube de coração foi critério para eu definir os meus seis votos de domingo (4 de outubro) como nunca foram critérios em eleições pretéritas nem jamais serão em eleições futuras (se elas, claro, continuarem existindo)!
Vale, sempre, lembrar o dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956): “A cadela do fascismo está sempre no cio”.
Dito isso, para produzir este texto, com as minhas opções todas muito bem refletidas, analisadas, estudadas e consolidados, pesquisei: meu candidato a deputado federal, arquiteto, urbanista e progressita, atualmente vereador na capital paulista, é santista; minha candidata a deputada estadual, disparada a maior prefeita da história da cidade de São Paulo, é corinthiana; minhas duas candidatas ao Senado são rivais, a primeira opção é palmeirense, a segunda é corinthiana; o meu candidato a governador é são-paulino; e o meu candidato a presidente, que, por intermédio de MP, proibiu as bets, é corinthiano.
São votos todos conscientes, embora alguns deles não tenha sido fácil decidir, outros foram facílimos por inexistência de outras opções aceitáveis. Para deputado estadual, por exemplo, há um candidato são-paulino do mesmo partido da ex-prefeita que é combativo na luta pela educação e que já mereceu meu voto em diversos pleitos, há uma sambista rubro-negra e verde-rosa com história de luta e posições fantásticas, mas só podia, infelizmente, escolher uma candidata. Já para o Senado, meus dois votos, com zero entusiasmo, são por pura exclusão. Todos os outros nomes à disposição, inclusive o passador de boiada que desistiu às vésperas, me dão ânsia de vômito.
Como sou jornalista esportivo, trouxe o time dos candidatos como curiosidade e nada mais do que isso. Repito, mais uma vez, para firmar: o time de coração de cada um dos seis candidatos que receberão os meus votos no domingo (4 de outubro) não teve qualquer influência na minha escolha democrática.
Faço essa observação, que deveria ser óbvia, porque, lamentavelmente, nesta eleição, como em todas as últimas desde a redemocratização do país, apareceram dezenas de candidatos aos cargos legislativos usando o clube de coração como para atrair votos.
Ex-jogadores, torcedores (organizados ou não), influencers e até jornalistas fazem campanha com discurso em defesa do respectivo clube (Corinthians, Vasco, Palmeiras, Flamengo, São Paulo, Fluminense, Santos, Botafogo, Inter, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG, tem para todos as cores ideológicas) em Brasília ou na assembleia estadual. É um completo absurdo!
É um tal de “palmeirense vota em palmeirense”, “vou representar o Vasco em Brasília” e similares, repito, das mais variadas colorações ideológicas e clubísticas. São candidatos que tratam os eleitores como idiotas, afinal é o cidadão que deve ser representado no Senado, na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, não a torcida do seu time, seja ele qual for.
Quando vejo esse tipo de papagaiada patética lembro, com tristeza, que o advogado são-paulino José Izar se elegeu vereador de São Paulo, em 1996, com o slogan “corinthiano vota em corinthiano”. E, como se fosse um legítimo corinthiano, o tricolor direitista grafou o termo com TH, como só os corinthianos de verdade fazem questão absoluta. Marcelinho Carioca, que já mostrava estar sempre no palanque errado, foi seu cabo-eleitoral: viva a memória!
Para não deixar ruído, desenhemos e brindemos o óbvio ululante: ex-jogador, torcedor famoso (organizado ou não), influencer, cartola e jornalista podem, como qualquer outro brasileiro, se candidatarem e serem votados! O que não é legítimo, por não corresponder ao papel de nenhum cargo público, é dizer que vai representar torcida nenhuma no Congresso. Não é esse o papel de senador, não é papel de deputado federal, não é papel de deputado estadual, não é papel de vereador!
Eu, Vitor Guedes, cidadão e eleitor, que não sou nem nunca fui candidato a nada, nem a síndico, tenho asco e nojo de tudo o que representa o bolsonarismo e, graças a Deus, a São Jorge e a Nossa Senhora Aparecida, tenho orgulho de SEMPRE estar na trincheira oposta a essa gente.
Tenho asco e nojo de todos os “valores” da extrema direita. E, pela minha posição, clara e declarada, nada, por exemplo, que venha da Gaviões da Fiel enquanto a organizada por presidida por Alexandre Domenico, que gravou apoio a um candidato a deputado do partido dos Bolsonaro, me representa. Antecipo, que o presidente da Gaviões e qualquer um tem o direito de votar e declarar a apoio a quem quer que seja, inclusive, óbvio, a quem desprezo. Como também é meu direito, que exerço com prazer, de querer distância desse tipo de gente.
Minha posição não me faz menos corinthiano do que de nenhum eleitor que vote como o presidente da Gaviões da Fiel. E vice-versa. Urna (eletrônica e segura) não é uma eleição de corinthianismo ou para medir a paixão por nenhum clube.

Vitor Guedes
Ainda assim, tenho muito orgulho, esportistas do Brasil, que o uniforme do clube mais brasileiro seja sinônimo dos meus valores. Tanto que, no domingo (4), irei à urna com a minha listrada em preto e branco e, sem dizer nada, está tudo dito: ditadura nunca mais! Tortura nunca mais! Fascismo nunca mais! Em memória de tanta gente, como do corinthiano Vlado, a camisa alusiva à Democracia Corinthiana já está separada!
Não estou dizendo, até porque seria mentira, que não tenha corinthiano fascista. Claro que há. Nenhum time tem o privilégio de ter apenas torcedores que preferem os direitos humanos à tortura. No entanto, graças a Deus, a São Jorge e a Nossa Senhora, essa gente, se pode ser qualificada assim, tem vergonha de usar a camisa da Democracia Corinthiana. Preferem a do torturador Carlos Brilhante Ustra.
Eu, Vitor Guedes, usando o direito de resguardar em segredo meus votos, só dou mais algumas dicas: não bebo detergente, tenho a convicção que a Terra é plena, tomo vacina, não abro mão do estado laico, respeito todas as religiões e tenho nojo de fascismo e asco de quem faz apologia à tortura e condecora milicianos. São os meus valores…
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Vitão Raiz
Eu sou o Vitor Guedes e tenho um nome a zelar. E zelar, claro, vem de ZL! É tudo nosso! É nóis aqui no iG com a coluna Vitão Raiz!
