
Vini Jr. e Mbappé viraram alvos de ataques de torcida organizada do Real Madrid de extrema direita
Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté se tornaram alvos de críticas dos Ultras Sur, grupo de torcedores do Real Madrid associado à extrema direita e descrito pela L’Équipe como de ideologia neonazista. A cobrança aconteceu após os três jogadores esconderem parcialmente uma mensagem de apoio aos moradores de Ceuta antes da partida contra o Elche, pela sexta rodada do Campeonato Espanhol.
Em comunicado publicado nas redes sociais, o grupo classificou como “inaceitável” a postura dos jogadores e exigiu um pedido público de desculpas. Os Ultras Sur também direcionaram críticas ao presidente Florentino Pérez e afirmaram que, caso os atletas não se retratem, o dirigente deveria deixar o cargo. A cobrança ocorre em meio à relação historicamente conflituosa entre o grupo e a direção do Real Madrid.
• SAIBA MAIS: Técnico do Real Madrid faz cobrança por “outra versão” de Vini Jr

Vini Jr e Kylian Mbappé – Real Madrid
Por que Mbappé e Vini Jr foram criticados?
A polêmica começou antes do confronto entre Elche e Real Madrid. Os jogadores entraram em campo utilizando uma camiseta com a frase “Todos somos caballas”, em referência aos moradores de Ceuta, território espanhol localizado no norte da África e que atravessa uma crise migratória. Mbappé e Vinícius usaram a peça parcialmente dobrada, escondendo parte da mensagem, enquanto Konaté carregou a camisa nas mãos.
A iniciativa havia sido adotada por outros clubes espanhóis e tinha como objetivo demonstrar solidariedade à população de Ceuta. O Real Madrid informou que apoiava a ação, mas respeitava a decisão individual dos jogadores sobre a forma como participariam da manifestação. Mbappé também explicou posteriormente que sua atitude não representava falta de solidariedade com Ceuta, mas uma tentativa de lembrar também outros migrantes vítimas da crise.
• SAIBA MAIS: Mbappé reage após ser comparado com ditador: “assassinos”

Florentino Pérez
Histórico de conflito com Florentino Pérez
Os Ultras Sur foram fundados em 1980 e durante décadas ocuparam um espaço importante nas arquibancadas do Santiago Bernabéu. Segundo a L’Équipe, o grupo esteve envolvido em episódios de violência contra torcedores rivais e forças de segurança, além de utilizar símbolos, cânticos e bandeiras associados ao fascismo e ao neonazismo.
A relação com Florentino Pérez se deteriorou ao longo dos anos. Em 2013, o grupo foi expulso do Bernabéu e perdeu os ingressos que recebia para acompanhar as partidas. Desde então, os Ultras Sur mantêm oposição ao presidente do clube. Mesmo proibidos de entrar no estádio, integrantes continuam se reunindo nos arredores do Bernabéu e acompanhando partidas fora de casa, de acordo com a publicação francesa.
A influência do grupo, porém, não desapareceu completamente. Em março de 2025, cerca de 500 integrantes foram ao estádio Metropolitano, do Atlético de Madrid, sem ingressos e tentaram entrar no local. Segundo a L’Équipe, o episódio terminou com intervenção das forças de segurança, confrontos, insultos e gestos nazistas.
No atual episódio, portanto, o conflito ganhou um novo capítulo envolvendo três jogadores importantes do elenco. Mbappé já se manifestou sobre a polêmica e afirmou que é solidário tanto aos moradores de Ceuta quanto aos migrantes que enfrentam situações de sofrimento. O Real Madrid, por sua vez, defendeu o direito de seus jogadores decidirem individualmente como se posicionar diante da iniciativa.
• SAIBA MAIS: Dembélé e Mbappé vivem guerra de egos, diz imprensa francesa
