A camisa usada por Pelé na final da Copa do Mundo de 1958 foi vendida por 4,9 milhões de dólares (equivalente a R$ 25 milhões) em um leilão da Sotheby’s. O valor é elevado, mas ainda fica distante da camisa mais cara da história não só do futebol, mas também do esporte.
O QUE ACONTECEU
A camisa mais cara da história do futebol e do esporte é a que Maradona usou no jogo da “mano de Dios”, contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986. Ela foi comprada em 2022 por 7,1 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 44,2 milhões na cotação da época), quebrando todos os recordes para uma coleção de camisas esportivas.
Na Copa de 1986, Maradona levou a seleção argentina ao segundo título Mundial. Depois de passar pela Inglaterra, o time sul-americano passou pela Bélgica na semifinal (2 a 0) e venceu a Alemanha Ocidental por 3 a 2 na grande decisão, na Cidade do México.
O recorde anterior era de uma camisa usada pela lenda do beisebol Babe Ruth no final da década de 1920. Ela foi vendida em 2019 por 5,6 milhões de dólares (cerca de R$ 21,7 milhões na época).
A POLÊMICA DA AUTENTICIDADE
A camisa de Maradona, porém, voltou a virar alvo de polêmica recentemente com família do ídolo questionando a autenticidade da peça. Claudia Villafañe, viúva de Maradona, exibiu uma suposta camisa original usada por Maradona no gol da “Mão de Deus” durante participação no programa matinal “La Cucina Rebelde”, da TV Argentina, na última segunda-feira.
Claudia apontou detalhes que, segundo ela, comprovam sua autenticidade, como as manchas na gola e o escudo bordado artesanalmente. “Ela tem duas tonalidades diferentes de azul, o número é prateado e eles não tinham os escudos bordados. Então as próprias mulheres que trabalhavam na concentração, que limpavam o local, preparavam a comida e faziam de tudo, costuraram os escudos da forma que puderam”, disse a ex-esposa de Maradona.
A camisa vendida no leilão pertencia ao inglês Steve Hodge, rival de Maradona no histórico jogo de 1986. Ele foi o responsável pela “assistência” para a “mano de Dios”, tocando a bola para trás para Maradona completar com a mão para o fundo das redes. Ele guardou a camisa por 36 anos e resolveu vendê-la no leilão, atraído pelas cifras.
A família de Maradona já havia contestado a autenticidade da peça na época do leilão, dizendo que a camisa do inglês havia sido usada apenas no primeiro tempo o histórico gol foi marcado na etapa final. Segundo o canal de notícias argentino Todo Noticias (TN), já foi comprovado que Maradona realmente usou duas camisas diferentes naquele confronto.
Sei perfeitamente que ele [Steve Hodge] não tem. Meu pai me disse: ‘Como vou dar a camisa da minha vida para ele?’ As pessoas que participarem deste leilão devem saber que é uma camisa importante, mas é a do primeiro tempo que acabou sem gols. Para mim, não tem valor.Dalma Maradona, filha de Diego Maradona, em entrevista à Radio Metro, da Argentina, em 2022
A casa de leilões Sotheby’s se manifestou garantindo que a camisa vendida no leilão era a do segundo tempo. Para isso, ela realizou, em conjunto com especialistas, um estudo minucioso de comparação de fotos entre as imagens em alta resolução do jogo e a peça física.
* Uol/folhapress
