
Avalon Gall – Huntington Beach
Huntington Beach, na Califórnia, também conhecida como Surf City USA, e toda vez que o WSL chega, a cidade para. O festival dura nove dias, mistura música, cultura e competição, e reúne o melhor do surf mundial numa das praias mais maneiras dos Estados Unidos. E dessa vez, quem deu início a competição foi o Longboard, com altas ondas e com os atletas quebrando.
Sou surfista de longboard, então não vou fingir neutralidade, essa modalidade me apaixona, e ver ela ganhando espaço, audiência e atenção, faz muito bem para o esporte.
O wildcard que foi contra todas as apostas
Tommy Coleman, de San Clemente, na Califórnia, entrou no evento como wildcard (vaga extra dada pela organização, geralmente para um surfista local ou promissor que não se classificou pelo WQS – Eliminatórias para o Campeonato Mundial) e fez uma campanha que ninguém esperava, Coleman foi vencendo concorrentes experientes e ranqueados, surfando com consistência e uma leitura de onda impressionantes.
Na final, contra Declan Wyton, um dos melhores surfistas do ranking, ele desafiou todas as expectativas e comemorou demais uma vitória extraordinária em Huntington Beach. É o tipo de história que o esporte precisa, um cara que entrou tranquilo, sem status, sem o peso do favoritismo, e surfou de forma leve, algo que faz total diferença em um grande campeonato. Coleman não tinha nada a perder, surfou como se não houvesse amanhã e foi exatamente isso que o fez ganhar.
Avalon Gall é bicampeã no feminino
No feminino, Avalon realizou um feito histórico ao vencer o US Open de Longboard pelo segundo ano consecutivo (2025 e 2026). Bicampeã em Huntington Beach, em uma das competições mais tradicionais do surf de longboard, com certeza é um resultado que fica na memória.
Vale destacar também a presença de nomes históricos como Taylor Jensen, quatro vezes campeão mundial de longboard, que passou pelo primeiro round com 14.66 de total de bateria, mostrando que ainda está surfando em altíssimo nível, e Rachael Tilly, atual bicampeã mundial, voltou a competir no seu quintal, nas praias da Califórnia para defender sua colocação no ranking. A temporada do Longboard Tour está só começando, e tenho certeza que vai ser muito boa.
Longboard e o assunto não falado
Não dá para falar de US Open de Longboard sem tocar em um ponto que me incomoda, e que os próprios atletas do circuito precisam encarar de frente. O vencedor de uma etapa regular do Longboard Tour leva pra casa apenas 5 mil dólares, e o campeão final, lider do ranking, 10 mil, o mesmo circuito que viaja para Huntington Beach, Bells Beach na Austrália, Filipinas e El Salvador paga um valor que mal cobre o valor das passagens.
Para um esporte que tem crescido constantemente, atraindo cada vez mais praticantes e que tem um estilo que conquista qualquer pessoa que assiste, esses números são baixíssimos. O longboard merece ter um investimento maior e mais reconhecimento da WSL e outras competições. Torço para que isso mude logo.
Quais são os próximos campeonatos?
O Challenger ainda está rolando em Huntington Beach, com as pranchinhas, e em agosto, o CT volta com força total em Teahupo’o, no Taiti. A temporada está num ritmo que não dá para descansar.
Até a próxima! Ihii!
Pedro Bento
@pedrobento28
