A maior Copa da história começa hoje entre tensões e desafios

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Azteca vai receber a abertura da Copa do Mundo no México
Divulgação/Estádio Azteca Banorte

Azteca vai receber a abertura da Copa do Mundo no México

México e África do Sul entram em campo hoje (11), no Estádio Azteca, para dar início a maior Copa do Mundo de todos os tempos. A bola rola às 16h, mas antes disso a cerimônia de abertura, que conta com apresentações de Shakira, Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean, J Balvin, Lila Downs, Los Ángeles Azules, Maná e Tyla, está prevista para iniciar às 14h30.

O Mundial de 2026 será o maior da história, com 48 seleções disputando a taça em três países diferentes, Estados Unidos, México e Canadá, e 16 cidades-sede espalhadas pelo continente norte-americano. A organização do torneio, porém, enfrentou uma série de problemas ao longo dos últimos meses, que vão desde tensões diplomáticas até preocupações com o clima e adaptações nos campos de jogo. 

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Seleção do Irã chega aos Estados Unidos em meio a tensão diplomática entre os países
Reprodução/Instagram

Seleção do Irã chega aos Estados Unidos em meio a tensão diplomática entre os países


Eua x Irã

O conflito mais grave envolve a relação entre Estados Unidos e Irã. Em meio a guerra entre os países, em junho de 2025, o governo Trump anunciou restrição total de entrada para cidadãos de 12 países, incluindo o Irã, com exceção para atletas e delegações em grandes eventos esportivos. O problema começou a se materializar em dezembro, quando os EUA negaram vistos a membros sêniors da delegação iraniana para o sorteio realizado em Washington, incluindo o presidente da federação, Mehdi Taj. O Irã boicotou o evento e a FIFA foi formalmente notificada.

Sem relações diplomáticas com os EUA, o Irã treinou por quase três semanas na Turquia para solicitar os vistos americanos a partir de lá. Na véspera da viagem para o México, os 26 jogadores finalmente receberam autorização de entrada, mas ao menos 14 membros da comissão técnica e da administração tiveram os pedidos negados. A federação iraniana acusou os EUA de comportamento vingativo. Além disso, o embaixador iraniano no México revelou que a delegação foi notificada de que precisaria entrar e sair do território americano no mesmo dia dos jogos, o que levou o Irã a transferir sua base do Arizona para a Cidade do México.

A situação pode migrar para dentro de campo. Se ambas as seleções avançarem como segundas colocadas em seus grupos, Irã e EUA podem se enfrentar nas oitavas de final em 3 de julho, em Arlington, no Texas, o que seria a primeira vez que um país-sede recebe a seleção de um país com o qual está em conflito em uma Copa do Mundo. A FIFA confirmou que o Irã participará do torneio conforme planejado, após receber garantias dos três governos anfitriões de que todas as seleções classificadas poderão competir.

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Jogo de abertura está sob ameaças de tempestades
Divulgação / FMF

Jogo de abertura está sob ameaças de tempestades

Problemas climáticos

O clima é outro fator que preocupa a organização do torneio. Durante a Copa do Mundo de Clubes realizada nos Estados Unidos em 2025, tempestades provocaram seis atrasos em partidas e jogadores relataram desconforto com o calor. O caso mais grave foi o duelo entre Benfica e Chelsea, interrompido por quase duas horas. Na fase final do torneio, o prefeito de Nova York emitiu alerta oficial dizendo que a onda de calor poderia ser mortal para quem passasse longos períodos ao ar livre.

A organização científica Climate Central publicou um levantamento apontando que 97 das 104 partidas da Copa do Mundo de 2026 podem sofrer algum tipo de interferência climática, seja por calor, chuva ou tempestades. Houston, uma das cidades-sede, registrou índice de calor considerado perigoso em quase três quartos dos dias de junho e julho na última década. Segundo especialistas do Imperial College Healthcare NHS Trust, acima de 28°C o risco de doenças causadas pelo calor se torna preocupante não apenas para os jogadores, mas também para os torcedores nos estádios.

Para lidar com a situação, a FIFA adotou um protocolo que determina a interrupção das partidas sempre que tempestades ou descargas elétricas forem detectadas num raio de até 13 quilômetros dos estádios, com retomada apenas 30 minutos após o último registro de raio. Entre as cidades que mais preocupam os especialistas estão Miami, Nova York, Nova Jersey e Filadélfia. Miami, considerada uma das áreas mais vulneráveis a tempestades no verão, receberá partidas da seleção brasileira na fase de grupos. E o alerta já começou antes mesmo da abertura, com as autoridades mexicanas emitindo alerta laranja para chuvas intensas na Cidade do México para o dia do jogo entre México e África do Sul. 

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Estádios que vão receber partidas do Mundial passam por reformas no gramado
Divulgação/ Unv.Tennnesse

Estádios que vão receber partidas do Mundial passam por reformas no gramado

Logística complicada

A logística dos campos foi um dos maiores desafios da organização. O alerta veio na Copa América 2024, realizada nos mesmos estádios que receberão o Mundial. O técnico da Argentina, Lionel Scaloni, reclamou publicamente que o gramado do AT&T Stadium foi trocado apenas 48 horas antes da partida, mesmo sabendo há sete meses que jogaria ali. O técnico do Peru atribuiu a lesão no tendão de Aquiles de Luis Advíncula à qualidade do campo, e Vinícius Jr., James Rodríguez e o técnico do Chile, Ricardo Gareca, também fizeram críticas públicas às condições.

Para 2026, a FIFA exigiu gramado natural em todos os 16 estádios. A solução foi uma superfície híbrida composta por 95% de grama natural e 5% de fibras sintéticas costuradas na raiz. Em cada estádio, foram instalados 15 centímetros de areia e outros materiais de base sobre o campo artificial existente antes de rolar o gramado por cima. Cinco sedes com cobertura fechada precisaram de luzes LED ultravioleta, já que a grama não sobrevive sem luz solar. A FIFA também exigiu sistemas subterrâneos de irrigação, ventilação e drenagem em todos os locais.

O AT&T Stadium, no Texas, exigiu 45 mil horas combinadas de trabalho apenas para instalar o novo gramado. Os estádios de Nova York, Atlanta, Houston, Dallas, Los Angeles, Seattle e Boston precisaram ter seus campos completamente trocados. Alguns locais removeram assentos para acomodar as medidas oficiais dos campos de futebol, que são maiores do que o de futebol americano. Para garantir uniformidade entre os 16 estádios, a FIFA contratou universidades americanas para desenvolver sistemas que assegurassem que a bola quicasse e rolasse da mesma forma em todos os campos.

A Copa de 2026 é a mais cara de todos os tempos
Divulgação/Adidas

A Copa de 2026 é a mais cara de todos os tempos

A Copa mais cara da história

A Copa do Mundo de 2026 projeta uma receita entre US$ 10,9 bilhões e US$ 11 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 62 bilhões, representando um aumento de 56% em relação ao Qatar em 2022. Os ingressos acompanham o tamanho dos números. Os bilhetes variam entre US$ 100 e US$ 6.370, o equivalente a R$ 570 e R$ 36,3 mil, com alguns tendo um aumento de mais de 1.000% em relação à Copa anterior. A principal mudança foi a adoção do sistema de preço dinâmico, em que os valores sobem ou caem em tempo real conforme a demanda, modelo já usado por companhias aéreas e plataformas de shows. O Football Supporters Europe pediu oficialmente à FIFA a suspensão da venda de ingressos, classificando os preços como extorsivos, e veículos como a BBC pediram que suas federações nacionais interviessem.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu os preços lembrando que a entidade gera receita em apenas um mês a cada quatro anos. Um torcedor que planeje acompanhar sua seleção da estreia até a final gastará, na categoria mais econômica, em torno de R$ 19,7 mil só com ingressos. Nos setores mais caros, o custo supera R$ 70 mil. O transporte também sentiu o impacto, com corridas de Uber que normalmente custam US$ 12,90, cerca de R$ 73,50, podendo chegar a US$ 98, aproximadamente R$ 558, nos dias de jogo. Críticos avaliam que o modelo pode afastar o torcedor popular dos estádios, transformando a Copa em um evento dominado por turistas de alto poder aquisitivo e consumidores corporativos.

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Seleção brasileira estreia na Copa neste sábado (13) contra o Marrocos
Rafael Ribeiro / CBF

Seleção brasileira estreia na Copa neste sábado (13) contra o Marrocos

Brasil na Copa

A seleção brasileira está no Grupo C e estreia na Copa do Mundo de 2026 no sábado (13), às 19h, contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Após o confronto, os brasileiros voltam a campo nos dias 19 e 24 de junho para enfrentar Haiti e Escócia, respectivamente.

A preparação para a estreia teve uma baixa de última hora. O lateral-direito Wesley foi cortado após se lesionar no amistoso contra o Egito no último sábado (06), e o meio-campista Ederson, ex Atalanta, foi convocado para ocupar a vaga no grupo de Ancelotti.

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