Messi volta a palco de derrota que causou sua ‘aposentadoria’ da seleção

Esportes


O MetLife Stadium, em East Rutherford, nos arredores de Nova Jersey, palco da final da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha neste próximo domingo (19), pode consagrar Lionel Messi bicampeão mundial.

Se vencer pela segunda vez seguida, o camisa 10 da Alviceleste entrará em um seleto grupo que conta hoje com apenas 17 jogadores, que levantaram a taça do Mundial duas vezes em sequência. Quatro são da Itália, que fez a dobradinha em 1934 e 1938, e 13 do Brasil, bicampeão em 1958 e 1962.

O estádio que pode ver mais um feito empilhado pelo craque argentino aos 39 anos de idade, porém, é o mesmo que, há dez anos, viu o astro viver seu ponto mais baixo ao longo de sua hoje bem-sucedida carreira vestindo a camisa azul e branco, quando chegou a anunciar sua aposentadoria da seleção.

No dia 26 de junho de 2016, o time dirigido à época pelo técnico Gerardo “Tata” Martino perdeu a decisão da Copa América Centenário em homenagem aos cem anos da primeira edição do Campeonato Sul-Americano de Seleções e da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol).

Após empate sem gols no tempo regulamentar contra o Chile de Alexis Sánchez e Arturo Vidal, a Argentina acabou superada por 4 a 2 na disputa de pênaltis.

Responsável por abrir as cobranças, Messi mandou por cima do travessão do gol defendido por Claudio Bravo.

A derrota representou o quarto vice do craque com a seleção, após derrotas nas finais da Copa América de 2007 e de 2015, para o Brasil e para o Chile, e na da Copa do Mundo de 2014, quando os argentinos foram superados pela Alemanha.

Visivelmente emocionado, com a voz embargada e os olhos marejados, Messi anunciou logo após a partida sua decisão de se aposentar da seleção, aos recém-completados 29 anos.

“É um momento difícil de analisar. A primeira coisa que me vem à mente, e eu estava pensando nisso no vestiário, é que acabou, terminou para mim na seleção. Perdi quatro finais…É assim que me sinto. É uma grande tristeza”, disse o jogador em entrevista a jornalistas nos corredores do MetLife Stadium.

“Além disso, perdi o pênalti, que era crucial para fazer a diferença, e eu perdi. Acho que é para o bem de todos. É isso, me esforcei muito. Estou saindo sem ter conquistado um título com a seleção”, acrescentou o camisa 10.

Ao anúncio seguiu-se uma campanha popular massiva na Argentina envolvendo torcedores, jogadores e ex-jogadores, além de dirigentes e políticos, todos pedindo seu retorno.

Enzo Fernández, hoje seu companheiro de seleção e então ainda uma jovem promessa da base do River Plate, publicou uma carta em que criticava a pressão em cima de Messi e pedia que ele reconsiderasse sua decisão.

Além disso, o treinador Edgardo “Patón” Bauza, que acabara de assumir no lugar de Tata Martino, viajou até Barcelona para conversar pessoalmente com o jogador.

A pressão surtiu efeito e, cerca de um mês e meio depois do anúncio, Messi voltou atrás e reconsiderou sua posição. Em comunicado à imprensa, afirmou que já enxergava muitos problemas no futebol argentino e não queria criar mais um com sua decisão.

“Há que arrumar muitas coisas no nosso futebol argentino, mas prefiro fazer isso de dentro, e não criticando de fora”, disse. “Agradeço a toda essa gente que quer que eu siga jogando com a Argentina. Oxalá possamos dar-lhes alguma alegria logo.”

A Alviceleste ainda amargaria mais uma derrota na Copa América, dessa vez nas semifinais, na edição de 2019, superada pelo Brasil de Tite por 2 a 0, gols de Gabriel Jesus e Roberto Firmino, no Mineirão.

Na decisão pelo terceiro lugar, ao menos pôde se vingar do Chile, com um triunfo por 2 a 1, na Neo Química Arena, em São Paulo, com gols de Agüero e Dybala. Vidal descontou para os chilenos.

Na edição seguinte da Copa América, em 2021, novamente realizada no Brasil, Messi conquistou seu primeiro título pela Argentina, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Brasil na decisão, no Maracanã, com o único gol da partida marcado por Ángel Di María.

Em 2022, liderou a equipe rumo ao tricampeonato mundial no Qatar, quando marcou em todas as fases do torneio e encerrou um jejum de 36 anos desde o último título, em 1986.

Dois anos depois, voltaria ao MetLife Stadium, novamente contra o Chile, dessa vez pela fase de grupos da Copa América. A Argentina venceu por 1 a 0, com gol de Lautaro Martínez, e seguiria então rumo ao seu terceiro título em sequência, com vitória sobre a Colômbia na decisão, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens.

BICAMPEÕES MUNDIAIS DE MANEIRA CONSECUTIVA

Itália (1934 e 1938)
– Eraldo Monzeglio
– Giovanni Ferrari
– Giuseppe Meazza
– Guido Masetti
Brasil (1958 e 1962)
– Bellini
– Castilho
– Didi
– Djalma Santos
– Garrincha
– Gilmar
– Mauro
– Nilton Santos
– Pepe
– Vavá
– Zagallo
– Zito
– Zózimo

* LUCAS BOMBANA (FOLHAPRESS)



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