Boto, sobre pressão no Flamengo: “Multiplicada por mil”

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José Boto fala sobre seu trabalho à frente no Flamengo em evento em Portugal
Foto: Divulgação / Flamengo

José Boto fala sobre seu trabalho à frente no Flamengo em evento em Portugal

O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, participou nesta quinta-feira (24/9) do “Portugal Football Summit”, na FPF Arena Portugal, em Oeiras, na região de Lisboa. Durante o evento, o dirigente falou sobre a rotina no clube, a pressão em torno do futebol brasileiro e as estratégias para a formação do elenco rubro-negro.

Ao lado de Fernando Meira, diretor de futebol do Vitória de Guimarães (POR), e Sami Khedira, assistente técnico do Real Madrid, Boto destacou o ambiente que envolve o Flamengo e afirmou que os jogadores precisam estar preparados para lidar com uma cobrança acima do habitual.

“Quando contrata um jogador para jogar no Flamengo, tem de estar preparado para jogar, mas também para a loucura que é o Campeonato Brasileiro. De três em três dias passa de besta a bestial, de uma forma mais agressiva e até mais invasiva da vida privada dos jogadores. Então, quanto mais experiente for o jogador, maior capacidade terá para lidar com essa pressão exagerada. No Flamengo, esse exagero é multiplicado por mil”, afirmou.

Boto explica aposta em jovens

O dirigente também comentou as contratações de Joaquín Freitas e Anthony Valencia, feitas na reta final da janela. Segundo Boto, a chegada dos dois jogadores não representa uma mudança na estratégia do Flamengo, mas uma antecipação do planejamento para os próximos anos.

“Achamos que era a altura ideal para trazer sangue novo, porque a equipa estava com uma média de idades muito alta. No imediato quase não precisávamos de contratações, mas pensamos no Flamengo de 2027 e de 2028”, explicou.

Boto também criticou a redução gradual do limite de estrangeiros aprovada pela CBF para o Brasileirão. A partir de 2027, serão permitidos oito atletas estrangeiros por partida, número que cairá até cinco em 2030.

“Os jogadores brasileiros vão continuar a sair muito cedo. Não há capacidade para reter esse talento. Essa medida enfraqueceria a liga brasileira e não acredito que trouxesse nada à qualidade do futebol brasileiro”, disse.

Rotina no clube

O dirigente ainda defendeu que o diretor de futebol tenha participação diária na gestão do clube, e não apenas nas janelas de transferências. Para Boto, o trabalho envolve integrar diferentes áreas em busca do desempenho esportivo.

“O diretor esportivo não é apenas a pessoa que contrata jogadores nas janelas e depois desaparece. É um trabalho diário de gestão das várias equipes multidisciplinares do clube, colocando todas elas a serviço da equipe de futebol e da performance que queremos. No Flamengo, tudo o que não seja ganhar é um mau resultado”, afirmou.



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