
Corinthians x SPFC
A dupla São Paulo e Corinthians deve ser a mais atingida financeiramente pela Medida Provisória que coloca fim à publicidade das bets em território nacional. Entre os clubes brasileiros patrocinados pelas casas de apostas, os rivais paulistas são os que se encontram em situação financeira mais dramática.
Além de perderem parte considerável da receita de forma imediata, os times devem sofrem na captação de novos mercados para substituir as bets. De acordo com Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva e sócio-fundador da Sports Value, as instituições podem ser vítimas, num curto prazo, da falta de credibilidade das próprias gestões.
“Eu diria que aqueles que têm grandes contratos, como Flamengo, Corinthians e São Paulo, obviamente, mas entre esses, sem sombra de dúvidas, o Corinthians, que depende muito do contrato de bet (Esportes da Sorte) e está numa situação ruim. Teve essa questão da Fatal Model (site de acompanhantes de luxo), que afugenta grandes marcas interessadas. Além do Corinthians, o São Paulo, que está numa situação ruim, o Santos, que depende muito também do seu contrato, Botafogo. Na minha opinião, Flamengo e Palmeiras, que estão também muito dependentes, têm a chance de atrair marcas porque estão numa gestão mais sólida. Então, eu diria que, os que têm mais contratos, ou que têm contratos maiores, e que têm má gestão, vão sofrer mais, como é o caso de Corinthians e São Paulo”, analisou.
Procurados pelo iG, Corinthians e São Paulo informaram que veem com preocupação a medida do Governo Federal. Diante da intenção do presidente Lula, os clubes chegaram a divulgar um comunicado em conjunto, na semana passada, alegando o “fim do futebol brasileiro”. Com o avanço da iniciativa, as equipes foram notificadas pelos patrocinadores sobre a possibilidade de rompimento de contrato caso a medida seja aprovada. A MP deverá ser anunciada, nesta sexta-feira (25), pelo presidente Lula (PT).

Clubes fazem campanha associando a proibição das bets ao fim do futebol brasileiro
Domínio das bets e clubes acomodados
De acordo com Somoggi, os clubes de maneira geral não se prepararam para diversificar as fontes de faturamento em marketing e ficaram cada vez mais dependentes do aporte financeiro das casas de apostas. Dados da Sports Value mostram que os maiores clubes do futebol brasileiro movimentaram em 2025 um total de R$ 3,2 bi em receitas de marketing. Deste volume, cerca de R$ 1,1 bi vieram de casas de apostas, 34% do total. O faturamento total dos clubes passou dos R$ 15 bi em 2025 e as casas de apostas representam em média 8% das receitas geradas.

Impacto das casas de apostas nas receitas dos clubes brasileiros
Diante do cenário, Somoggi explica que o surgimento das bets inflacionou o mercado do futebol brasileiro e criou um modelo insustentável. Segundo ele, é preciso ter criatividade para reestabelecer as receitas de marketing.
“Todos os mercados que tiveram redução ou proibição de casa de apostas tiveram perdas financeiras no curto prazo, porque nenhum setor, por mais importante que seja, paga os valores inflacionados das casas de apostas. Então no curto prazo vai ter um impacto, na Espanha estimou-se em 30%, mais ou menos, a queda das receitas. Eu não acredito nesse número para o Brasil, mas pode acontecer. Ter uma queda bastante acentuada no curto prazo, mas isso pode qualificar o marketing esportivo brasileiro, voltando a ter marcas líderes que faturam muito, que têm um marketing muito mais agressivo, que podem alinhar ativações inteligentes com os clubes.
Então eu acho que para se recuperar, é buscar, para cada patrocínio perdido, dois ou três (novos patrocínios), isso pode ser um caminho, vai exigir muita criatividade dos clubes para voltar a chamar a atenção dessas marcas importantes que estão fora e distantes dos clubes, não só na questão de valor, mas também por credibilidade, questão de compliance”, completou.
