
A colombiana Shakira é figurinha carimbada em Copas do Mundo
Bastou Dembelé marcar o terceiro gol dele seguido na goleada da França por 4 a 1 sobre a Noruega, que o DJ do estádio em Boston, local da partida, colocou para o público ouvir o hit “One More Time”, da dupla francesa de música eletrônica Daft Punk. Fiquei pensando se ele, empolgado com a atuação do craque do PSG, teve requintes de crueldade com os companheiros de Haaland, ou se a execução da canção, que em português significa “mais uma vez”, era algo já pré-estabelecido pela organização da Copa do Mundo. Pesquisei. E sim, a FIFA permitiu que cada uma das 48 seleções participantes escolhesse sua própria música oficial para tocar nos estádios a cada gol marcado. Além disso, a entidade lançou o álbum oficial do torneio no FIFA Sound. Tem para todos os gostos e estilos. O K-Pop da Coreia do Sul, a cúmbia dos Argentinos, a salsa panamenha e por aí vai. Cada país com sua tradição.Logo fiquei pensando no quão legal seria ouvir os ingleses entoando a obra mais famosa dos Rolling Stones “(I Can’t Get No) Satisfaction”, com torcedores cobrando mais e mais gols do imparável artilheiro Harry Kane.Mas, talvez, pela fama de pé frio de Mick Jagger, a música oficial escolhida pela seleção da Inglaterra para tocar após os gols na Copa é “Chase the Sun”, do Planet Funk.Os australianos acertaram em cheio e elegeram a clássica “Thunderstruck”, da famosa banda de rock do país AC/DC. No primeiro acorde da guitarra de Angus Young, até defunto levanta para dançar. Pena que a seleção da Oceania só fez dois gols no mundial até o momento e, pela qualidade da equipe, este número não deve se estender tanto.Os nossos vizinhos colombianos tinham uma escolha óbvia. Afinal, Shakira se apresentou e teve músicas oficiais em quatro Copas do Mundo: Alemanha (2006), África do Sul (2010), Brasil (2014) e México/EUA/Canadá (2026).Portanto, tem mais representatividade em mundiais do que qualquer craque de Los Cafeteros, como James Rodríguez ou Luis Díaz. Porém, a Federação Colombiana de Futebol optou por “El Ritmo Que Nos Une”, cantada pelo artista Ryan Castro. Não conheço, mas ele tem que ser muito bom para desbancar a “Loba”.
“Bate no Peito”: música brasileira não emplacou
A escolha da CBF foi por um time de artistas de renome, composto por Ludmilla, João Gomes, Zeca Pagodinho, Samuel Rosa e Veigh. Ao que consta, a produção da faixa é de Papatinho.
Para ser sincero, não curti. Com tantos estilos variados, a impressão é a mesma de quando cada estudante faz uma parte do trabalho e juntam tudo no final. Uma colcha de retalhos, que não dá liga. Sem falar que, no país do bordão, faltou um refrão que grudasse na cabeça. Só não perde para a insossa e desanimada música que a torcida verde-amarela cantava até pouco tempo nos estádios: “eeeeu sou brasileeeeiro, com muito orguuuulho, com muito amooor…”Ainda bem que superamos essa fase.Para não dizer que só critico, vou sugerir outra opção bem mais dançante, animada, representativa, interpretada pelo “síndico” do país da esculhambação e da alegria.Fico até imaginando o Carlo Ancelotti mascando chicletes aos montes e ouvindo “Sossego”, do Tim Maia, depois de mais um gol do Vini Jr.A música foi lançada em 1978, mas tem versos bem atuais e condizentes com a nossa tradição. Pois, apoiar o Brasil em Copas do Mundo já é sinônimo de feriado desde sempre. “Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego
Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero?
Sossego”.Preciso lembrar que o próximo jogo cai em uma segunda-feira e que dá para emendar com o fim de semana? É o som do hexa!

