
Josh Wander em jogo em São Januário antes do colapso da 777 Partners
Josh Wander, fundador e ex-CEO da 777 Partners, declarou-se culpado por fraude eletrônica e fraude de valores mobiliários nos Estados Unidos. O empresário admitiu participação em um esquema que causou prejuízos superiores a 500 milhões de dólares (cerca de R$ 2,5 bi na cotação atual) a credores e investidores. Wander estava à frente do grupo que comprou a SAF do Vasco em 2022, além de outros clubes pelo mundo.
Segundo a Procuradoria dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, Wander utilizou ativos inexistentes ou já oferecidos como garantia em outras operações para conseguir financiamentos. Além disso, ordenou a adulteração de extratos bancários para esconder a real situação financeira da companhia.
Parte dos recursos obtidos de maneira fraudulenta teria sido direcionada a aquisições e despesas da 777 Partners, incluindo investimentos em clubes de futebol. O empresário também apresentou informações falsas sobre as finanças do grupo para captar mais de 200 milhões de dólares (R$ 1 bilhão) em investimentos externos em 2021 e 2022.
Wander, de 45 anos, pode receber até 20 anos de prisão por cada uma das duas acusações. A sentença está prevista para 1º de março de 2027. Como parte do acordo, ele concordou em devolver pelo menos 500 milhões de dólares.
Disputa com o Vasco
A 777 Partners adquiriu 70% da SAF do Vasco em 2022, mas a relação com o clube se deteriorou diante de problemas financeiros e da falta de aportes previstos em contrato. Em maio de 2024, a Justiça do Rio de Janeiro suspendeu os efeitos do acordo entre as partes e devolveu ao clube associativo o controle da operação do futebol – através do presidente Pedrinho.
A empresa americana contestou decisões e questionou a possibilidade de venda da SAF. A disputa envolveu a 777 Carioca, subsidiária utilizada pelo grupo na operação brasileira. Em setembro de 2026, porém, as partes chegaram a um acordo arbitral. Assim, a companhia declarou que não se opunha à reorganização societária e à venda do futebol vascaíno.
O Vasco, por sua vez, avançou para uma nova etapa. Em setembro deste ano, afinal, a empresa Almirante Participações, ligada ao empresário Marcos Lamacchia, venceu o leilão pela SAF. A proposta prevê aportes de R$ 500 milhões entre 2026 e 2030.
