
Delfim, o reserva de Everson está um monstro no gol do Galo
Há menos de um mês, o caos tomou conta do torcedor atleticano. O melhor goleiro em atividade no Brasil pararia por um tempo, logo após as pelejas épicas contra o rival, para recuperar-se de uma fratura no pé esquerdo. Mas havia jogos decisivos.
“Quem jogaria? O menino da base? Nossa senhora!”
” Façam o Everson voltar rápido! Se houver uma disputa de pênaltis, como será? Meu Deus! E a saída de jogo, quem vai fazer? Dou minha perna pra ele, pode?”
Pois é! A unanimidade de hoje em torno do Paredão foi rejeição em 2020. Lembram? “Rafael é titular. Que papo é esse de sair com os pés? Esse Careca (Sampaoli) não entende nada”, dizia parte da torcida.
Depois de momentos muito difíceis, Everson virou o jogo da história, se tornou líder, conquistou títulos, mudou a ótica da maior parte da Massa e hoje é ícone do elenco atleticano. Mas se lembra de que a condição da “certeza absoluta” é pouco humana e que vivemos sempre em trânsito, sempre em oscilações nítidas da condição?
Delfim dá conta
Pois é! Aquela frase do moço: “O Everson tem que voltar ontem” ou “Eu dou o meu pé para o Paredão jogar logo” já MUDOU. O mesmo amigo do ZAP já “autorizou” o DM do GALO a tratar o Everson com calma, para ele ter uma recuperação sem afoitamento.
“Não, sô! Deixa o Everson recuperar bem, tranquilo, sem acelerar pra num atrapaiá depois”. Sim, ele é um dos mesmos que queriam dar um pé para o Paredão. Agora, ele, que olhou para o Delfim e disse que não confiava, está preocupado com a possibilidade de o jovem garoto sair do gol.
Nada mais atleticano que a incoerência humana. Mas talvez a grande virtude do povo preto e branco seja exatamente compreender que a sua opinião se dobra ao que faz bem ao Galo. O mesmo que xinga sabe amar e perdoar.
Quantos jogadores do Galo tiveram a sua vida mudada ao representar este distintivo? Desde o Ronaldinho, que veio em “baixa” na bolsa de valores do mundo da bola, até as viradas recentes e o crescimento dos jogadores da base, a reviravolta comunga com o preto e o branco. O GALO é o time da virada.
No Atlético, como na vida, a vitória não é eterna, mas as viradas são únicas e transformadoras. Foi assim com Dadá Maravilha, Marques, Guilherme e Ronaldinho Gaúcho. O caos parece eterno, mas, no CAM, a turbulência se vence com suor, sangue, atitude e respeito à atleticanidade. É mineiramente simples.
De fato, como mortais, a condição de certeza absoluta é transitória. Contudo, lembrem-se: o Galo é o time da virada e não só pelos resultados revertidos no campo, mas pela capacidade de transformar trajetórias.
Galo imortal
Everson “ontem” rejeitado, hoje ícone. Delfim “ontem” um devaneio irresponsável, hoje, o futuro da camisa 1 do time da Massa — com apelo para renovação de contrato e aumento de salário. Reinier “ontem” cobrado, hoje em novo momento… O caos passa, o Galo é imortal.
Delfim só de nome. A temporalidade da opinião vive, como nós, no portão da condição e da incerteza, afinal, o Galo é imortal. E só o Galo é, o resto está. Everson ou Delfim? Que problema gostoso!
Galo, som, sol e sal é fundamental
