
Com vitória sobre o Internacional, São Paulo aumentou série de triunfos no Morumbis
A vitória sobre o Internacional, no último sábado (19), foi a terceira consecutiva do São Paulo no Morumbis pelo Campeonato Brasileiro. A sequência deu fim a um longo jejum da equipe com Dorival Júnior e confirmou o perfil caseiro da equipe na atual edição. É graças à imposição como mandante que o Tricolor paulista criou gordura em relação à zona do rebaixamento e ainda pode ao menos cogitar voos mais altos na competição.
Na 11ª colocação, o São Paulo tem 36 pontos, sete a mais que o Grêmio, primeiro clube a figurar na zona de degola. No entanto, como visitante a equipe tem a sexta pior campanha, com 14 pontos em 14 jogos – duas vitórias, três empates e nove derrotas. O Tricolor perdeu quatro dos últimos cinco jogos longe de casa. Já como mandante, o clube está em sexto lugar com aproveitamento beirando os 70% – oito vitórias, três empates e apenas uma derrota. E por ter um jogo a menos que quatro dos cinco clubes com a pontuação maior nesse quesito, tem um aproveitamento de G5 (grupo que designa os classificados para a Libertadores).
Esse contraste do desempenho em casa e fora explica a posição intermediária do time na tabela. O São Paulo é um dos seis clubes que têm um jogo a menos. No dia 2 de outubro, a equipe fará o clássico contra o Santos, adiado da 21ª rodada, no Morumbis. O confronto será a oportunidade de aumentar a série positiva como mandante e entrar na primeira parte da tabela, superando o próprio rival paulista, que é o oitavo colocado com 38 pontos.
Jogos transferidos do Morumbis interferem nos números e geram lamentos
Até o momento, o São Paulo fez 13 partidas como mandante no Brasileirão. Porém, nem todas aconteceram no MorumBIS. Com o estádio frequentemente cedido para eventos musicais, o clube precisou transferir quatro desses jogos para outros locais. Dois dos duelos foram em Bragança Paulista, um no Canindé e outro no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas. Com duas vitórias, um empate e uma derrota, o aproveitamento é de 58,3% contra 74,1% nos jogos disputados em seu estádio – seis vitórias, dois empates e uma derrota. O técnico Dorival Júnior já expôs o quanto deixar de mandar jogos no estádio do clube atrapalha.
“Na minha última passagem pelo São Paulo, nós tivemos 75% de aproveitamento dentro do Morumbi. Então eu acho que isso explica o nível de dificuldade que nós teremos não tendo o Morumbi na totalidade dos jogos. É uma situação que já está colocada, nós temos que entender e procurar encontrar soluções. Seria muito importante, não tenho dúvidas disso”, declarou o treinador em julho, durante a pausa para a Copa do Mundo, lembrando do trabalho em 2024, quando levou o time ao título da Copa do Brasil.
Dos 11 jogos que restam para o time, seis serão como mandante. Porém, o clássico contra o Corinthians, na primeira semana de novembro, não deve ocorrer no Morumbis por conta de uma série de shows do grupo de k-pop BTS no estádio. Diante disso, o clube já tem acordo com o Santos para mandar o Majestoso na Vila Belmiro, repetindo cenário do fim de 2025, quando o São Paulo fez quatro jogos na casa santista pelo Brasileirão.

Eliminação do São Paulo na Sul-Americana “quebrou encanto”
No dia 31 de agosto, o São Paulo fez 2 a 1 no Red Bull Bragantino e encerrou um jejum de dez jogos e 126 dias sem vencer no Campeonato Brasileiro. Esse foi o triunfo que iniciou a atual série perfeita no Morumbis pela competição e deu o respiro na classificação. Porém, esse percurso teve um solavanco que frustrou em demasia a torcida. Em 15 de setembro, o empate por 1 a 1 com o Boca Juniors, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, levou à eliminação do torneio que era a esperança de um título redentor na temporada.
Após o duelo contra os argentinos, Dorival Júnior declarou que a equipe ficou nervosa com barulho e pressão da torcida na partida. Essa afirmação levou a Independente, principal organizada do clube, a promover um protesto no jogo contra o Internacional. A uniformizada permaneceu muda nos primeiros 15 minutos do duelo, mesmo após gol de Calleri, e estendeu uma faixa com dizeres irônicos: “Silêncio, estamos jogando”. Ao fim do jogo, o treinador fez um mea-culpa e lamentou o efeito da sua fala.
“A responsabilidade é minha. Eu, como treinador, tenho que assumir. Eu lamento a declaração. Em momento nenhum foi isso que aconteceu. Eu tenho muito carinho pelo torcedor, só estou aqui hoje por causa deles, tinha um compromisso em razão da forma como saí da outra vez”, explicou Dorival.

Reta final e as pretensões do São Paulo
O São Paulo tem um longo período de treinos antes de enfrentar o Santos. No clássico, a equipe terá a oportunidade de firmar o bom momento no Morumbis contra um rival direto na tabela. O adversário do SanSão vem de quatro vitórias consecutivas como visitante, é o terceiro colocado na classificação do returno e passou a sonhar com uma vaga na Libertadores, algo que o Tricolor pode almejar caso saia vitorioso.
Além do Santos, a equipe tricolor fará outros cinco jogos como mandante, contra Vitória, Vasco, Corinthians, Fluminense e Remo. Caso saia vencedor do clássico, o São Paulo ficará a sete pontos do Bahia, que está na quinta colocação, a última que dá vaga na competição internacional. Porém, a depender dos desfechos de Copa do Brasil, Sul-Americana e da própria Libertadores, até mesmo a oitava colocação pode classificar para o torneio. Hoje, é justamente o Santos que está nessa condição com apenas dois pontos a mais que o Tricolor.
O discurso, no entanto, é primeiro eliminar o risco de rebaixamento. A meta é fazer logo 45 pontos, número visto como seguro para pensar em objetivos mais ambiciosos.
