Textor tenta aproximação. Botafogo, porém, isola o ex-controlador

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Textor segue sozinho e sem grandes aliados
Foto: Vítor Silva/Botafogo

Textor segue sozinho e sem grandes aliados

John Textor não esconde o desejo de voltar a colocar as suas garras sobre o Botafogo novamente. Ao mesmo tempo, no entanto, o Godfather vive fazendo acenos e levantando bandeiras brancas quando lhe é conveniente. Nesta terça-feira (27), no dia em que o associativo anunciou que é dono de mais de 99,9% da SAF, o empresário norte-americano procurou quem está no poder. No entanto, segue sustentando que é o sócio majoritário.

O ex-controlador do futebol alvinegro propôs uma reconciliação com o presidente do clube associativo do Glorioso, João Paulo Magalhães Lins, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro e o futuro investidor do clube-empresa Gabriel de Alba, sócio fundador da GDA Luma.

“Convido Gabriel, JP e Carlos a colocarem o clube acima de nossas diferenças pessoais. Estou disposto a trabalhar com a GDA como credor ou investidor em benefício do Botafogo, se Gabriel tiver um interesse genuíno no clube. Continuo oferecendo soluções que nos permitiriam avançar juntos. Repito: deixarei de lado diferenças pessoais e me unirei a qualquer um que verdadeiramente viva e respire uma paixão pelo nosso clube. O caminho mais sólido para frente é a reconciliação. Sou o proprietário. Mas respeito o seu investimento. Nunca deveríamos ter permitido que nos dividíssemos. Nunca é tarde para deixar nossas diferenças para trás”, colocou.

Lobo em pele de cordeiro

Textor tenta. Contudo, não consegue esconder a sua natureza e as suas ambições. No mesmo texto, o empresário, baseado em decisões na Justiça dos Estados Unidos, também afirma que não vai permitir que as decisões do Mais Tradicional sejam tomadas sem o seu consentimento.

“O tribunal dos EUA reconheceu minha propriedade das ações. Estou buscando o reconhecimento desse direito no Brasil, e a anulação de ações corporativas que considero ilícitas. Exigi formalmente que a GDA e Gabriel de Alba cessem e desistam de interferir na minha propriedade da SAF Botafogo. Espero que uma empresa dos EUA, liderada por um cidadão americano, respeite uma decisão judicial dos Estados Unidos. Não permitirei que o futuro do clube seja decidido sem mim.

Sem diálogo! Botafogo se mantém longe de Textor

O Botafogo, por sua vez, descarta qualquer aproximação com Textor, vê o Godfather como carta fora do baralho e não acredita mais no tom de reconciliação do big boss. A tendência, portanto, é que o norte-americano continue sustentando suas narrativas isolado e sem o poder de outrora.

Como sócio majoritário e com 90% das ações, Textor esteve à frente do Botafogo de março de 2022 a abril de 2026, quando um tribunal arbitral o apeou do poder. Com ele, o Botafogo sagrou-se campeão da Libertadores e do Brasileirão em 2024. Mas o clube contraiu dívidas, recebeu seis transferbans da Fifa, declarou situação pré-falimentar e entrou em processo de recuperação judicial.

Com Textor fora, o social do Botafogo acionou uma cláusula prevista no acordo original da sociedade (bônus de subscrição) para passar a deter 51% das ações da empresa, enquanto a GDA Luma não arremata a SAF do Mais Tradicional. Sendo assim, a participação da Eagle Bidco (do Godfather) foi reduzida para 49%. O associativo alegou o descumprimento de obrigações e falhas em aportes financeiros por parte da empresa do norte-americano.

Recentemente, uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) emitiu novas ações. A Eagle tinha prazo até segunda para comprar algumas delas e não exerceu esse direito. O social do Botafogo, então, arrematou essas ações, ficou com mais de 99% da SAF e abriu caminho para a entrada da GDA Luma, fundo que ficará com 90% do futebol, deixando o associativo novamente com 10%.



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