
Bellini e Mauro erguem a taça como capitães das Copas de 1958 e 1962
Revelar dois jogadores que se tornariam capitães de seleção e levantariam taças de Copa do Mundo. Esse é, sem dúvida, o principal feito da história da Sociedade Esportiva Sanjoanense, de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. O clube revelou Bellini e Mauro, os dois primeiros capitães do Brasil a erguerem o troféu de campeão do mundo para o Brasil, respectivamente em 1958 e 1962.
O feito da equipe do interior paulista só conseguiu ser igualado pelo Bayern de Munique mais de meio século depois, quando Philipp Lahm ergueu o tetra da Alemanha, em 2014. Lahm, na oportunidade, se juntou a Beckenbauer, que em 1974 havia levantado a Copa do Mundo.
Com isso, Lahm e Beckenbauer repetiram pelo Bayern o que só a Sociedade Esportiva Sanjoanense havia conseguido fazer com Mauro e Bellini em uma Copa do Mundo.

Lahm e Beckenbauer erguem a taça de campeões com a Alemanha
Mauro, Bellini e a Esportiva Sanjoanense
Prestes a comemorar 110 anos de fundação, a Sociedade Esportiva Sanjoanense, de São João da Boa Vista (SP), carrega consigo o feito histórico e extremamente raro no futebol mundial.
Hilderaldo Luiz Bellini, capitão do Brasil no título de 1958, e Mauro Ramos de Oliveira, capitão na conquista de 1962, iniciaram suas carreiras profissionais no clube Rubro-Negro e tiveram trajetórias que ajudaram a marcar o início da hegemonia brasileira no futebol mundial.

Mauro Ramos com a camisa da Esportiva Sanjoanense
Nascido em 30 de agosto de 1930, na vizinha Poços de Caldas (MG), M auro assinou seu primeiro contrato profissional com a Esportiva em 1947, aos 17 anos. O zagueiro começou a chamar atenção ao se destacar em um amistoso contra o São Paulo. Na oportunidade, ele anulou Leônidas da Silva, considerado na época o maior craque do futebol brasileiro. A atuação abriu caminho para sua transferência ao clube paulista.
Para suprir a saída de Mauro, a Esportiva contratou em 1948 um jovem ainda pouco conhecido: Bellini, nascido em 7 de junho de 1930 em Itapira (SP). Ele permaneceu no clube até 1951, quando foi para o Vasco da Gama, equipe na qual se tornaria um dos maiores ídolos de todos os tempos.
Bellini entrou para a história ao ser o capitão da seleção brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Foi dele o gesto que se eternizaria depois, se tornando um dos símbolos universais do esporte: levantar a taça acima da cabeça após a conquista do título. O movimento nasceu de forma espontânea para facilitar o trabalho dos fotógrafos, que pediam para que ele erguesse a taça para as fotografias. Ele ergueu, fazendo nascer ali o gesto mundial de vitória que foi repetido por Mauro Ramos na Copa de 1962.

Bellini com a camisa da Esportiva Sanjoanense
A partir dai, acabou se transformando em um ritual presente em praticamente todas as conquistas esportivas ao redor do mundo até hoje, independente do esporte.
Mesmo após alcançarem fama internacional, os dois jamais romperam os laços com São João da Boa Vista. Mantiveram por muitos anos uma relação próxima com a cidade, participando frequentemente do tradicional “Encontro dos Amigos”, evento que reuniu antigos companheiros e amigos por quase duas décadas, sempre demonstrando gratidão e carinho pelo lugar onde iniciaram suas trajetórias.

Bellini e Mauro juntos na Seleção Brasileira
Mauro faleceu em 18 de setembro de 2002, aos 72 anos, vítima de um cânces de estômago. Já Bellini morreu no dia 20 de março de 2014 devido a complicações da Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), também conhecida como “demência pugilística” ou “síndrome do pugilista”.
Mesmo quando estavam vivos ou depois de terem falecidos, esse capítulo da história do futebol, no entanto, muitas vezes passa despercebido até mesmo na própria cidade. O fato de um clube do interior ter revelado dois capitães campeões do mundo é um marco histórico singular no esporte.
“A história da Esportiva é riquíssima não apenas no futebol. Porém, é inegável que o legado de Mauro e Bellini marca esta trajetória, que está prestes a completar 110 anos. Ao lado apenas do Bayern de Munique, somos um dos únicos clubes do mundo que lançaram ao futebol dois jovens que se tornariam capitães de seleções campeãs da Copa. Aqui na Esportiva temos o Memorial Rubro-negro, que preserva tudo o quanto é possível sobre estes dois verdadeiros ícones do desporto internacional”, disse Lúcio Doval, presidente da Sociedade Esportiva Sanjoanense.
Doval é o único presidente eleito para três mandatos à frente da Diretoria Executiva da Sociedade Esportiva Sanjoanense. Responsável pela gestão do centenário, em 2016, ele agora conduz a organização das comemorações dos 110 anos do clube. Uma das ações é a camisa retrô réplica do uniforme criado após a fusão entre a Esportiva e a Associação Athletica São João, em 1921 ( foto abaixo).

Presidente da SES, Lúcio Doval – espaço Mauro e Bellini
Memorial Rubro-negro
A história vivida por Mauro e Bellini na Esportiva Sanjoanense pode ser encontrada no Memorial Rubro-negro, onde o clube possui mais de dez mil ítens que contam os capítulos escritos pela associação nos 110 anos que vão ser completados no dia 1º de julho de 2026.
Dentre as histórias, a dos capitães está exposta com fotos da época em que jogavam pelo time do interior de São Paulo e visitas feitas após a carreira no futebol, além de imagens das conquistas com a Seleção Brasileira. Além disso, o clube conta com o Espaço Mauro e Bellini, construído ao lado do estádio no formato da taça Jules Rimet, nome do troféu erguido por eles no Mundial. O local, atualmente, passa por reforma com a proximidade da Copa.
“É muito difícil conseguir informações precisas sobre a época, na década de 1940 não era tão comum como é hoje o registo em fotografias, e passados mais de 70 anos desse período, a maioria do pouco material desses registros já havia sido perdido quando começamos a organização do Memorial. Muito lamentável a falta de valor que a maioria das pessoas têm em material histórico”, contou o historiador José Martins, responsável pelo Memorial Rubro-negro.

Funcionários Alexandre e Lucinho, na manutenção do espaço que homenageia Mauro e Bellini, com uma alusão à Taça Jules Rimet
Muita da história sobre Mauro e Bellini é resgatada por meio do livro “100 Anos de Futebol em São João da Boa Vista”, escrito pelo falecido jornalista Antonio Carlos Nogueira de Oliveira, o Leivinha.
“Particularmente, eu acho um dos episódios mais importantes da história da Esportiva, feito que não foi alcançado por nenhum dos grandes e famosos clubes brasileiros. Na época, a Esportiva tinha um time extremamente competitivo, mas por acaso do destino, não conseguiu brilhar na elite do futebol nacional”, relembrou José Martins.
A Sociedade Esportiva Sanjoanense é um clube associativo. No entanto, o memorial é aberto para visitação ao público em geral com agendamento prévio. O funcionamento é das 13h às 18h.
Documentário Eternos Capitães
Além do Memorial Rubro-negro, a história de Mauro e Bellini também pode ser encontrada no documentário “Eternos Capitães”.
Lançado em 2012 como um projeto acadêmico, a produção traz a história construída pelos capitães em São João da Boa Vista e o protagonismo vivido por eles na história do futebol.
“O objetivo do documentário foi justamente mostrar que, a partir de um clube do interior paulista, nasceram dois personagens centrais na construção da identidade vencedora do futebol brasileiro e que ajudaram a levar o nome de São João para o cenário esportivo mundial”, contou o jornalista Pedro Souza.

Eternos Capitães: Mauro e Bellini
O documentário tem como entrevistados nomes importantes do jornalismo esportivo, como Luís Roberto, Celso Unzelte e Marcelo Duarte, além de personagens históricos do futebol brasileiro, entre eles Pepe, o eterno “Canhão da Vila”, que conviveu com aquela geração campeã com Bellini e Mauro em 1958 e 1962.
Busca pelo Hexa
Inspirados em Mauro e Bellini, Marquinhos e Casemiro são os candidatos a serem capitães e erguerem a taça para o Brasil na Copa do Mundo do Estados Unidos, do Canadá e do México.
Os dois dispontam como os que devem disputar a braçadeira de capitão do time de Carlo Ancelotti na campanha em que a Seleção Brasileria vai buscar o Hexa.
Caso consigam o feito, eles se juntam na lista de capitães campeões com a seleção encabeçada por Bellini e Mauro, contando ainda com Carlos Alberto Torres, Dunga e Cafú.
Brasil na Copa do Mundo
O Mundial terá início no dia 11 de junho, às 16h (horário de Brasília), quando México e África do Sul abrem o torneio no Estádio Azteca, na capital mexicana.
Em busca do Hexa no Mundial, o Brasil está no Grupo C. Marrocos, Haiti e Escócia são os adversários da Seleção Brasileira na primeira fase do torneio.
O primeiro jogo do time brasileiro vai ser no dia 13 de junho, contar Marrocos, em Nova Iorque, às 19h (de Brasília).
Na sequência, o Brasil enfrenta o Haiti, no dia 19, às 22h, na Filadélfia. A seleção fecha a primeira fase diante da Escócia, em 24 de junho, em Miami, às 19h.

