
Veja o que os clubes falaram na audiência do STF sobre as bets
O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou, nesta terça-feira (03), uma audiência pública sobre a medida provisória (MP) que proibiu atividades de apostas esportivas no Brasil, assinada no final de setembro pelo presidnte Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A sessão sobre bets, que contou com a presença do ministro Luiz Fux, de autoridades ligadas ao governo, como o ministro da Saúde Alexandre Padilha, também teve a participação de representantes de diversos clubes.

Ministro Luiz Fux, abertamente contra a legalização das apostas, participou da sessão
• Fux defende proibição das bets no esporte durante audiência
Veja abaixo o discurso dos representantes dos clubes:
Flamengo
O Flamengo foi representado na audiência por Flávio Willeman, vice-presidente do clube. O clube, como vem fazendo por meio de protestos em partidas oficiais e publicações nas redes sociais, atacou a MP que proíbe as apostas no Brasil.
Em seu discurso, Flávio utilizou o princípio da segurança jurídica, que não foi mantido quando a medida, aprovada no Congresso Nacional, foi revogada por meio de uma medida provisória. Além disso, o rubro-negro também colocou em xeque algumas obrigações financeiras, firmadas com a legislação anterior.
“O Flamengo possui mais de 1.200 empregados, que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente R$ 430 milhões de receitas anuais com o futebol e com os esportes olímpicos.” Flávio Witteman
Corinthians
O Corinthians enviou dois representantes à discussão: Pedro Soares, diretor jurídico do Timão, e Vinícius Manfredi, superintendente de marketing. O membro da equipe de defesa do Alvinegro deu um discurso baseado no “bom senso”.
Segundo o profissional, faltou ética do governo e dos responsáveis pela MP, que não estipularam um período de transição ou uma adequação com a nova regra.
“Essa verba orçamentária, independente da empresa, vai fazer falta de uma forma que coloca em risco todas as categorias do clube. Foram feitos diversos acordos, inclusive com a União, de pagamentos que agora ficaram comprometidos pela falta de orçamento.” Pedro Soares
Vinícius baseou sua fala no poder de conscientização que os clubes, seguidos por milhões de pessoas, poderia ter no assunto das bets com a população. O ponto também foi citado quando Pedro esteve no microfone.
“O que eu queria colocar de mais relevante é a oportunidade que existe de os clubes serem o grande veículo condutor dessa orientação, dessa conscientização e de tudo que a gente precisa construir em relação à proteção das famílias, do mercado e do país. Milhões de brasileiros acompanham diretamente seus clubes, seus atletas e seus conteúdos. Essa relação vai muito além da publicidade, envolve identidade, pertencimento e confiança, e é aí que eu acho que tem uma receita do bolo para trabalharmos em conjunto.” Vinícius Manfredi
São Paulo
Assim como Flávio Witteman, vice-presidente do Flamengo, Danielle Maiolini Mendes, representante do São Paulo na audiência, atacou o ponto da segurança jurídica para defender a queda da MP das bets.
Em seu discurso, Danielle afirmou que cerca de 30% de toda a receita anual de publicidade do Tricolor Paulista corresponde a valores recebidos por contratos com casas de apostas, e que o término abrupto das parcerias pode colocar outras modalidades além do futebol masculino em risco.
“Eles (contratos publicitários com bets) custeiam as categorias de base, que dão a oportunidade de estruturação para diversas famílias, assim como o futebol feminino. As Soberanas são as atuais campeãs brasileiras.” Danielle Maiolini Mendes
Fluminense
O discurso mais polêmico da sessão foi o de Matheus Montenegro, presidente e representante do Fluminense no encontro. O dirigente escolheu minimizar o drama das famílias endividadas em comparação ao efeito dominó que o fim das bets pode causar.
Segundo o tricolor, a perda de receitas afetará todo o ecossistema, mas principalmente as equipes menores.
“O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer com os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol.” Matheus Montenegro
Cruzeiro
O Cruzeiro foi outro clube que alegou o risco financeiro que o fim das bets pode causar no futebol nacional. Segundo José Francisco Cimino Manssur, representante celeste, receitas oriundas da publicidade de apostas pagam 4 ou 5 folhas inteiras da equipe.
No final de seu discurso, o cruzeirense também colocou em discussão o desequilíbrio que a decisão pode causar nas competições sul-americanas. Equipes estrangeiras seguiriam com receitas derivadas das apostas e competindo com os times brasileiros.
“Nossos rivais vão poder contar com o patrocínio das empresas de aposta. Vamos enfrentar equipes argentinas, uruguaias, colombianas, que poderão ter patrocínio de aposta, enquanto as nossas equipes brasileiras não.” José Francisco Cimino Manssur
Grêmio
Eduardo Schumacher, advogado, vice-presidente e representante do Grêmio no encontro, adotou um tom mais moderado em seu discurso. O profissional evitou defender as casas de apostas e falou em uma regulamentação mais severa da atuação das empresas no país.
No entanto, Eduardo ainda questionou como a decisão foi tomada, comparando com medidas e seus processos em outros países, que permitiram um tempo de adequação aos clubes.
“O futebol brasileiro não pede para ficar acima da saúde pública. Pede apenas o que todos os países que enfrentaram esse problema concederam aos clubes: tempo.” Eduardo Schumacher
